Friday, August 21, 2020

CONSIDERAÇÕES PANDÊMICAS (crônica de Guilherme de Faria)

Nestes dias tristes de inverno e quarentena no nosso outrora "país tropical abençoado por Deus",deveríamos estar pelo menos compensando a adversidade com um recolhimento coletivo propício a uma fértil meditação. Entretanto não é o que parece estar acontecendo. A presença disseminada de um medo insidioso e difuso prejudica qualquer meditação apaziguante e construtiva. Ninguém sabe como emergiremos desta pandemia quando ela se dissipar. Sim, porque estamos entrando numa nova Era que não emana da vontade esperançosa da maioria do povo, mas sim de forças obscuras e ameaçadoras. Não se trata da Era de Aquarius, apregoada pelos hippies, a que eu mesmo, cabeludo e barbudo por outras razões, quase aderi com entusiamo, pois parecia que os jovens libertários apolíticos, do amor e da flor, pareciam estar vencendo os burocratas engravatados no mundo todo. Mas como vimos, logo o jovens foram arregimentados pelos socialistas e comunistas maoistas em Maio de 68. Ali, "o sonho acabou" (no dizer de John Lennon) e nunca mas se ergueria pois estávamos "caindo na real". Um pesadelo do real do qual só se acorda, paradoxalmente, sonhando novamente.
Quanto a mim, agora um pintor e poeta idoso, agarrado à vida pela sua beleza ameaçada e restante, fragilmente sitiado neste meu ateliê do quarto andar de um trecho outrora badalado e festivo desta Oscar Freire... me consolo com a frase típica do realismo humorístico de Machado de Assis: 

"É melhor cair das nuvens do que de um quarto andar"... 
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