CONSIDERAÇÕES PANDÊMICAS (crônica de Guilherme de Faria)
Nestes dias tristes de inverno e quarentena no nosso outrora "país tropical
abençoado por Deus",deveríamos estar pelo menos compensando a adversidade com
um recolhimento coletivo propício a uma fértil meditação. Entretanto não é o que
parece estar acontecendo. A presença disseminada de um medo insidioso e difuso
prejudica qualquer meditação apaziguante e construtiva. Ninguém sabe como
emergiremos desta pandemia quando ela se dissipar. Sim, porque estamos entrando
numa nova Era que não emana da vontade esperançosa da maioria do povo, mas sim
de forças obscuras e ameaçadoras. Não se trata da Era de Aquarius, apregoada
pelos hippies, a que eu mesmo, cabeludo e barbudo por outras razões, quase aderi
com entusiamo, pois parecia que os jovens libertários apolíticos, do amor e da
flor, pareciam estar vencendo os burocratas engravatados no mundo todo. Mas como
vimos, logo o jovens foram arregimentados pelos socialistas e comunistas
maoistas em Maio de 68. Ali, "o sonho acabou" (no dizer de John Lennon) e nunca
mas se ergueria pois estávamos "caindo na real". Um pesadelo do real do qual só
se acorda, paradoxalmente, sonhando novamente.Quanto a mim, agora um pintor e
poeta idoso, agarrado à vida pela sua beleza ameaçada e restante, fragilmente
sitiado neste meu ateliê do quarto andar de um trecho outrora badalado e festivo
desta Oscar Freire... me consolo com a frase típica do realismo humorístico de
Machado de Assis:
"É melhor cair das nuvens do que de um quarto andar"... ___________________
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