Sunday, June 27, 2021
OPINIÃO
É verdade que às vezes somos "repreendidos" ou mesmo suspensos por esse sistema, de maneira arbitrária, mas podemos ainda protestar, e até driblar a censura, já que ela é fruto do controle algorítimico (imagine se eles estariam mesmo vigiando individualmente um bilhão de pessoas!)
Quero dizer com isso, que por enquanto ainda está bom, embora haja o prognóstico negro da censura (que a esquerda acalenta) um dia chegar com tudo nas redes sociais e acabar com a nossa festa de opiniões...
( Guilherme de Faria)
Tuesday, June 8, 2021
(Guilherme de Faria)
08/06/2021
Friday, June 4, 2021
MAIS UM DEPOIMENTINHO (crônica de Guilherme de Faria)
Nos últimos trinta anos pude viver do jeito que eu sempre quis: só para as minhas artes, a pintura, o desenho e a poesia. Também, é verdade, para os prazeres da leitura, da TV a cabo, os filmes de DVD piratas (uma grande invenção rrrrsss) e da Internet, no facebook, a pesquisa Google, o youtube, e meus blogs da minha literatura e a da Alma Welt. Conquistei a minha felicidade e sou grato às tecnologias modernas, já que não pude nascer na Renascença Italiana rrrrrsss.Estas escolhas, indiscutíveis, pois de gosto pessoal, para mim só são desfrutáveis, na verdade, porque estou com minha solidão amenizada ou sob controle pela companhia da amada Eliana, minha mulher, que malgrado sua posição política oposta à minha,e que relevo com certo esforço (confesso), me acompanha nos últimos 26 anos, com sua feminilidade absoluta, que é para mim "o espelho da anima", essencial para mim no dia a dia, sem o qual, me desespero, feneço e morro. Sei que algumas mulheres, mais antigas, ainda entendem tais coisas...
Visto isso, pouco mais teria a dizer, se não fossem as antenas da própria poesia sobre os signos e significados dos eventos banais do cotidiano, que posso transformar em pequenas crônicas com algum interesse para meus amigos do facebook. Afinal, a felicidade está mesmo nas pequenas coisas, pelo menos para aqueles de pouca ambição material como eu. Entretanto... o que eu gostaria mesmo? Resposta: realizar um dia a minha Retrospectiva pictórica e gráfica, com catálogo completo a cores, sob minha própria curadoria e escolha das obras. E publicar meus livros todos em papel por uma grande Editora, principalmente as Obras Completas da Alma Welt, meu heterônimo feminino tão amado por mim mesmo.Bem... estou percebendo que na verdade minha ambição é imensa, desvairada, impossível para a minha pouca força restante. Bem, se não acontecer em vida, pelo menos as minha obras já foram todas para o mundo, ou estão na internet. Não guardo muita coisa escondida nas gavetas, senão segredos irrelevantes, talvez mesmo alguns patéticos, senão simplesmente risíveis...
(Guilherme de Faria)
Nota
Na verdade, devo lembrar que já foi feita uma Retrospectiva Gráfica minha na Caixa Cultural em Julho de 2010 em São Paulo (Praça da Sé) mara vilhosamente bem organizada pela Patricia Motta, dona da Editora Glatt Ymagos, com curadoria de Silvio Pizolli, com um belo catálogo de 100 obras ( litografias mas somente três desenhos)e todas reproduzidas em cores e que se pode ainda encontrar à venda em sebos na Internet.
O que ainda sonho é a Retrospectiva Pictórica: minhas telas a óleo de diversas fases (e muitos desenhos também de diversas fases). E os livros, naturalmente...
DÉJA VU (sincrônica de Guilherme de Faria)
Domingo de novo. Num piscar de olhos, domingo, novamente. Nesta quarentena, tenho a impressão de viver num permanente "déja vu". A propósito, antes que me esqueça, tenho uma grande irritação ao ouvir os americanos nos filmes falando "deja vu", assim com o som de "u" mesmo, sem a pronuncia francesa de ü, com biquinho com som entre o "u" e o "i", como se deve quando não se é um ignorante. Grrrr, rrrrraios.. raios! rrrrrrrrssss...
Entretanto prometi que não iria generalizar meus sentimentos e sensações, pois sei que sou uma "avis rara" (iiiiihhhh! que expressão mais arcaica!). O fato é que estou talvez alucinando, sem de fato perceber. Vejam: eu fico pintando, escrevendo e publicando diariamente aqui no facebook como se eu tivesse "voz e vez", e não fosse, como digo à Eliana, um "pintor de rodapés", um "borra botas" caprichoso, num mundo que se esboroa... Ou não, como dizia o Caetano.
Chega! "Basta de comédias na minh'alma !" (como dizia o Pessoa).
Sinto que estou pirando lentamente... mas, pensando bem, quando não estive? Talvez a vida seja isso, um lento enlouquecimento rumo à alucinação máxima que é a Morte. Ah! é isso! Saquei! A morte, na verdade é a alucinação culminante, a última. Nesse sentido, a rigor, não existe! A Morte não existe! VIVA LA VIDA! (como escreveu Frida Kahlo, num quadrinho de melancias)...
(Guilherme de Faria)
30/05/2021
Wednesday, June 2, 2021
CONFISSÕES DE AMBIGUIDADE (crônica de Guilherme de Faria)
Sempre fui ambíguo na minha relação com o Tempo. Paciente e impaciente ao mesmo tempo, na verdade esta dolorosa ambivalência estava na raiz dos meus tormentos ao longo da vida. Sempre tomei decisões precipitadas, para não ser um "empacado", horror que tenho à "síndrome de vaca atolada" que observava em algumas pessoas.
Por outro lado, graças a isso, muita coisa aconteceu em minha vida, no sentido subjetivo, visto que minha vivência foi quase sempre puramente interior: não sou da estirpe dos aventureiros verdadeiros, que admiro sem inveja, pois desde criança eu nunca desejei ser senão um pintor, que para ser grande é mais difícil que escalar o Everest.
Assim, no "ocaso e auge" de minha vida ambígua, com a ajuda das estranhas circunstâncias de uma pandemia e uma "quarentena" de dois anos, tenho todo o tempo do mundo para caprichar "lenta e impacientemente" na confecção e acabamento dos meus quadros cuja tinta a óleo demora a secar, o que me fazia no passado, para sobreviver, ter que vender rápido pra sustentar família, sendo muito desleixado tecnicamente o que no entanto passava por qualidade de espontaneidade. Ultimamente alguns quadros voltam agora para eu restaurar ou retocar, o que faço com prazer e alívio, pois praticamente os repinto e acredito que os melhoro, contra a opinião de minha antiga editora de gravuras e restauradora, a Patrícia Motta, que acha que os quadros devem ser no máximo restaurados mas mantidos pelo pintor tal como foram pintados em sua época. Isso me faz lembrar do fato pouco conhecido de que o célebre pintor Giorgio De Chirico, inventor e líder da "escola metafísica italiana", a propósito eficiente captadora da sensação de Tempo imóvel, espaço e silêncio, (confundida inicialmente com surrealismo), depois do imenso sucesso crítico e de vendas daquela fase, a renegou publicamente e entrou numa fase supostamente neoclássica, mas tosca e de visível mau gosto, que ele defendia com unhas e dentes contra as críticas negativas, e que valiam muito menos no mercado que os quadros de sua fase metafísica consagrada, que ele renegara. Entretanto não paravam de aparecer no mercado quadros de grandes formatos da sua fase metafisica, muito belos de fatura, mais bem acabados, e com aspecto de novos ou muito bem conservados, que eram vendidos por preços milionários no mercado mundial. Até que um grande colecionador denunciou o pintor por estar pintando escondido com aquele seu primeiro estilo e pós datando com as datas de 1917 a 1925 da sua fase famosa e por isso enriquecendo como não o conseguira fazer na aquela época, a ponto de morar num apartamento luxuoso como um palácio, em Roma, na Piazza D'Espagna, onde colecionava suas próprias obras em molduras suntuosas, e expunha em vitrines pequenas esculturas fundidas em ouro maciço com os temas das mais famosas telas de sua fase metafísica que já estavam nos museus pelo mundo. O caso foi ao tribunal, com o pintor como réu acusado de fraude. Mas o juiz absolveu o pintor, verdadeiro monstro sagrado vivo da Itália, com o argumento de que "um pintor tem o direito de falsificar a sua própria obra".
Não é propriamente meu caso, e eu recoloco e divulgo as duas datas, a original e a fecha após o retoque ou repinte, como um longo processo de realização, o que não deixa de ser verdadeiro.
As atuais circunstâncias, ao mesmo tempo me fazem meditar sobre o sentido e os absurdos da minha trajetória ao longo destes 78 anos, resultando nestas minhas crônicas de cunho autobiográfico e memorial, diárias e matinais aqui no face. E acho que tudo valeu a pena, porque fiz, entre milhares de pequenos fracassos subjetivos, alguns quadros, desenhos e gravuras que chegaram a ser bons na origem ou finalmente, até para mim mesmo. Do resto, a maioria, tenho uma vergonha danada, como o teve, justa ou injustamente, o De Chirico...
(Guilherme de Faria)
02/06/2021