Sunday, July 23, 2023

SERIA A ALMA WELT UM CASO DE TRANSEXUALISMO?

 Quanto às obras da Alma Welt, em prosa e poesia, que saem fluentemente de dentro de mim, recentemente uma psicóloga amiga me perguntou se escrevendo sob o influxo da minha própria anima, não estaria eu me proporcionando uma experiência vívida de feminilidade, já que pela notável impressão de "vida própria" que a Musa-poetisa transmite, não como um simples "travestismo" literário, mas de uma autêntica vivência "trans" em nível psicológico profundo. Em outras palavras mais simples: se tudo isso não passa do extravasamento do meu "lado feminino"...

A pergunta, reconheço, procede, e seria o caso de considerá-la se não fosse a admiração contemplativa e mesmo o sentimento de devoção que sinto pela minha Alma Welt e suas circunstâncias e vivências tão diferentes das minhas, ela uma gaúcha dos Pampas, no casarão de sua estância ainda assombrada por espectros de tempos farroupilhas, no meio de um vinhedo, universo tão diferente e distante da minha vivência modesta e mesmo banal num pequeno ateliê, nesta Oscar Freire tão medíocre na sua pretensa modernidade cosmopolita.
Todos que me conhecem, pessoal ou virtualmente, já perceberam minha paixão pela Alma, que visivelmente não possui contornos narcisistas. Alma Welt para mim é mesmo "outra pessoa" com sua própria personalidade e estilo, o que configura um caso de heteronomia autêntica, em todo o mistério e complexidade inerente a esse raro fenômeno anímico-literário que, imagino, encantaria o velho Carl Jung.
Sim, o que acontece comigo seria um privilégio raríssimo, se não fosse toda e qualquer Arte diretamente derivada da "anima" dos Artistas, em geral também desastrosamente do ponto de vista material e financeiro, "possuídos" que ficamos (como dizia Jung) por ela, e portanto sofrendo, frequentemente, um rebaixamento do "animus comerciante e provedor"...
Quero dizer, com isso, que não ganhei até hoje um único tostão com a minha Alma Welt. Por outro lado, a alegria, as surpresas, as emoções e o encantamento que a "guria" me proporciona não se pagam. Mas, sim, confesso: eu vivo grandes aventuras e paixões através dela, pois, parafraseando Leonardo da Vinci, se "Arte (pintura, literatura, etc) è cosa mentale ", a verdadeira vida também sempre o é...
Guilherme de Faria
23/07/2023

Wednesday, July 19, 2023

SOBRE A ATEMPORAL REALIDADE DO MUNDO

Quando temos uma ampla e lúcida memória retrospectiva da História Universal desde os primórdios da civilização humana, não nos alarmamos com aparente decadência da sociedade ocidental moderna, porque estamos conscientes de que no balanço geral o mundo nunca foi melhor nem pior. Se nos lembrarmos dos horrores do século passado (o XX) com duas Grande Guerras Mundiais, o comunismo e seus genocídios, o fascismo e o nazismo, o Holocausto, os genocídios japoneses sobre os chineses (depois os dos chineses sobre si mesmos), e os dos americanos com as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, e toda a violência do racismo, das revoluções e das drogas, dos crimes e perversidades do cotidiano urbano ou rural, percebemos que o mundo sempre foi o mesmo, redimido por sua belezas e grandezas, mas sobretudo pelo Amor e Arte Humanos. Qual a diferença, então, que faz com que este momento atual do mundo, neste começo do século XXI, pareça tão decadente e desastroso, apesar das maravilhas do atual estágio da Tecnologia? Resposta: justamente um dos aspectos centrais da mesma tecnologia: o das comunicações que nos põe em contato imediato com o mundo inteiro em tempo real e portanto também com as desgraças, os crimes e as perversidades, sem que possamos mais nos alienar e ignorá-las como foi possível para muitos no passado. Agora a consciência coletiva é inevitável e isso produz uma nova ilusão apocalíptica ou no mínimo uma crescente depressão exógena nas populações urbanas.
Diante disso, na nossa impotência política de cidadãos comuns , normais e humildes, e na ausência para muitos de uma verdadeira Fé, e na impossibilidade atual de nos alienarmos das realidades mais sórdidas ou cruéis do mundo, que adotemos, se possível, aquela atitude Zen do monge que fugindo da perseguição de um tigre cai num despenhadeiro mas se agarra num arbusto no barranco sobre o precipício. Com o tigre por cima tentando alcançá-lo com as garras, e o abismo por baixo, o monge suspira, colhe e saboreia uma frutinha que notou no arbusto...
Uma boa tarde de quarta-feira para todos.
(Guilherme de Faria)
19/07/2023

Friday, July 14, 2023

SOBRE O PROSELITISMO LGBT+ DA NOSSA ÉPOCA

Nos últimos tempos tenho recebido com frequência, por e.mail, solicitações para participar de abaixo-assinados de protestos contra a invasão da ideologia LGBT+ nas publicações para crianças, de desenhos, animações, quadrinhos e filmes infantis, e até nos contos de fadas clássicos. E, pasmem, eu assino, apesar de minha Musa e heterônimo feminino, Alma Welt, ser bissexual assumida e quase incestuosa pela paixão explícita por seu irmão adotivo, Rodo (Rudolf Welt) personagem importante de seus contos, crônicas e romances (vide A Herança: O Sangue da Terra, romance autobiográfico da Alma publicado no ano passado onde sua posição no tocante a esse tema fica bem clara na sua auto-defesa no Tribunal do Jury em seu julgamento) e de um blog inteiro de "Sonetos do Rodo" na Internet. Antes que possam me acusar de incoerência, ou pior, de hipocrisia, eu esclareço: simplesmente a Alma é contra o proselitismo sexual, e considera a sexualidade uma questão íntima, pessoal e intransferível, e como Anima Mundi, que seu nome arquetípico significa, sobrepõe o amor universal pelo gênero humano a todas as outras formas de amor. Em termos literários, reparem, sua sensualidade é explícita mas nunca vulgar ou impositiva. Alma nem sequer dá conselhos e espera que cada um cuide de sua vida e de sua sexualidade na esfera privada e que sobretudo respeite a inocência das crianças e não queiram aliciá-las e erotizá-las prematuramente, como está fazendo o movimento internacional LGBT+, alterando gêneros e raças nas fadas, sereias e heróis, sem nenhum respeito pelos autores e pela origem cultural européia clássica desses encantadores personagens. A propósito, conversando com um velho gay da minha geração este confessava que tinha saudades do tempo em que a homosexualidade era secreta, emocionante e transgressiva. Eu, que tive alguns queridos amigos gays, que se foram em glória íntima, outros, tragicamente... também preferia.
(Guilherme de Faria)
13/07/2023
Nota
Saudades também do tempo em que não havia a imposição do "politicamente correto", em que num programa humorístico da televisão um personagem hilário podia exclamar sem censura: " Isso é uma bichona!" e o seu Peru, na Escolinha do Professor Raimundo, podia inocente e criativamente "levar mais um pra irmandade"... rrrrrrsss

Monday, July 10, 2023

REVELAÇÕES SOBRE A NATUREZA DO FEMININO NA ALMA DO HOMEM

Quase todos os dias, após o café da manhã, eu me sento ao computador e escrevo uma crônica, minha mesma ou da Alma Welt. Poucas vezes sei antecipadamente de quem serão os primeiros pensamentos. É imponderável... Não que sejam muito diversos em espírito e até em estilo, mas pode-se notar a diferença entre os dois escritores. Minha colega interior tem uma candura e um encanto que me faltam. Ah! Como, mesmo sem ser gay eu invejo as mulheres! Por outro lado, presumo que muitos homens são como eu. A propósito, se não me engano Freud teria criado a "teoria da inveja do pênis" por parte do inconsciente feminino. Não sei se haverá uma contraparte masculina dessa inveja. Mas, de algum jeito eu me tornei um "trans" literário ao revelar a minha anima como autora, poeta e prosadora, tão feminina que eu mesmo me apaixonei por ela, sem incorrer em narcisismo, creio eu. Entretanto, recentemente, na última vez que estive socialmente ao vivo, no "vernissage" de um artista amigo meu, sua bela esposa me surpreendeu ao dizer: "Guilherme, quando eu li pela primeira vez os Contos da Alma, em 2004, sem saber ainda do segredo da Alma Welt, eu pensei: "É um homem que está escrevendo isso... uma mulher é sempre mais recatada, não se expõe tanto sexualmente".
Eu fiquei surpreso com estas palavras embora já tivesse me ocorrido tal consideração. Mas vejam, a Alma é uma mulher-artista, liberada e libertária, e sendo uma "anima" viva e primordial, Alma do Mundo, fala pelo inconsciente coletivo das outras mulheres, não pelo ser social delas.
Alma Welt expõe tudo, confessa tudo, às raias do despudor, mas reparem: candidamente, sem a menor vulgaridade, sem o menor teor de malícia (atributo preponderantemente masculino), embora seja capaz de uma sutil ironia em outros campos de sua psique.
Mas confesso que me causa um imenso prazer dar vazão à minha anima interior. Por quê digo "interior", já que a anima assim o é por definição? Simplesmente porque na vida já me apaixonei muitas vezes por mulheres e o apaixonar-se, no homem, segundo Jung consiste sempre em projetar a própria anima numa mulher, objeto imponderável da paixão. Assim, por ser uma projeção divinizada, o homem apaixonado fica impossibilitado de enxergar a mulher tal como ela realmente é. Eu sei disso, o despertar é amargo quando cai o véu dos olhos, e a mulher às vezes se revela, por contraste,  também um monstro pior do que na realidade ela é.
São os mistérios da psique humana, de que todo escritor, poeta ou não, é íntimo, não só por dever de ofício, mas por vocação específica: falamos do interior das pessoas, ou estamos falando de nada.
(Romeo)- "Peace, peace! Mercutio, peace! Thou talk'st of nothing."
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(Guilherme de Faria)
10/07/2023

CONSIDERAÇÕES DE UM VELHO ARTISTA SOBRE AS MULHERES

 Há uma intrínseca solidão na condição humana. Por isso mesmo as palavras de Deus ao criar a mulher foram: "Não é bom que o homem viva só." Quanto a mim, nunca consegui viver sozinho (entre casamentos desfeitos) mais de seis meses. Justamente por ser um solitário inconformado e socialmente desajustado, sempre necessitei da companhia feminina como um espelho da minha própria "anima", sempre ali ao meu lado e "à mão" (por assim dizer). Imagino que tais palavras podem não agradar muito às mulheres, que não se sentiriam exclusivas com elas, muito genéricas que lhes pareceriam tais considerações.

Por outro lado, as minhas artes (pintura, desenho, gravura e literatura) não fazem outra coisa que enaltecer a beleza feminina, e no tocante à minha musa Alma Welt, igualmente a inteligência e a sensibilidade extensivas a todas elas, ainda que seja em seus termos ideais para a minha própria sensibilidade.
Entretanto estou bem consciente que sou um homem de minha geração, isto é, já idoso, e que já não seria compreendido pelas mulheres jovens da atualidade que poderiam até me rotular de "machista", imagino. Aliás elas não me parecem sequer interessadas em literatura ou mesmo em arte figurativa, salvo engano meu. Mas quê sei eu (debaixo dos meus 80) das mulheres jovens desta atual geração, não é mesmo? A mulher eternamente jovem que celebro com a minha ALMA WELT, é uma artista e musa atemporal saída de dentro de mim mesmo, ainda que como "Anima Mundi", por incrível que pareça. Nesse sentido, do universal de sua condição, posso ter a esperança que a mulher jovem do futuro, uma vez farta, finalmente descarte o celular e a militância do feminismo de terceira onda, e possa se identificar com a beleza interior e exterior da Musa que celebrei com uma vida inteira de criações. Não custa sonhar...
(Guilherme de Faria)
09/07/2023

Friday, July 7, 2023

Agradecimentos à Platéia

Desde o final do ano de 2008 quando me inscrevi neste nosso querido facebook, eu posto diariamente, quase sem falta, fotos de minhas obras em pintura, desenho, gravura, e textos meus e do meu heterônimo feminino Alma Welt. Em números devo reconhecer que o quorum é modesto, principalmente aos textos literários das minha três vertentes, "Eu mesmo", o Guilherme de Faria meu homônimo cordelista sertanejo, e o mais inusitado: a poetisa e prosadora gaúcha Alma Welt. Entretanto, no tocante à minha escrita, devo dizer que me orgulho de ser um escritor "para os poucos, para os raros", como dizia Hermann Hesse no seu iniciático "O Lobo da Estepe". O facebook, sabemos, é uma rede eminentemente social, isto é, de sociabilidade fácil e comum, na sua maioria banal, mas ao mesmo tempo excelente para servir de "showroom" para nós, artistas, que insistimos em expor nossas obras, mesmo com baixos índices de visualização. É dito que os atores não suspendem sua encenação mesmo que o teatro esteja vazio, desde que haja um único expectador na plateia. O espetáculo será para ele.
Na verdade não posso me queixar, pois percebo um certo índice de fidelidade, que me gratifica sobremaneira. Tais amigos de tantos anos, conquistados na maioria aqui mesmo, de forma virtual, e alguns novos que vão chegando, me dão a agradável sensação de que não estou sozinho, que não estou cantando no deserto e que portanto não estou louco como Narciso, e não me transformarei numa flor reclinada sobre um espelho de águas paradas.
Não perdi meu tempo: somos gratos, eu e minha Alma, à nossa pequena plateia seleta, tantas vezes até mesmo entusiástica.
Isso é que vale...
(Guilherme de Faria e Alma Welt)
05/07/2023

O TITANIC DE TODOS NÓS

Penso que todas as pessoas que conhecemos durante a nossa vida são nossos companheiros de viagem e tripulantes de um grande navio invisível, superlotado também pelos espectros dos personagens reais ou fictícios que acalentamos pela cultura e pela imaginação. Assim, a maior ilusão é a de que estamos sós, e quando isso nos ocorre é porque nos trancamos egoisticamente num camarote interior, incapazes de fruir nossa viagem, nosso cruzeiro pelo oceano da vida (perdoem a imagem gasta) pelo receio de sua amplidão ou da ameaça das grandes ondas ou dos icebergs. Sim, quase todos nos identificamos com a história do Titanic pois ela se funde ao inconsciente coletivo do Ocidente, como metáfora da nossa aventura humana, com o seu final ironicamente trágico diante da nossa arrogância ou da nossa frivolidade. Entretanto, confesso, que se heróis há naquela história para mim, são os músicos que continuaram tocando serenamente até o fim, até o tombadilho se inclinar, despejando-os, afinal, como a todos os outros nas águas geladas.
Eis aí a nossa missão como artistas: produzir um fundo musical ou um réquiem, um cenário pintado, um epitáfio poético ou então, melhor ainda, uma ode a nós mesmos, à nossa humanidade, afinal heroica por simplesmente continuar vivendo... diante do Grande Desconhecido.
(Guilherme de Faria)
07/07/2023

Monday, July 3, 2023

O ÚLTIMO BALUARTE

Nossa arte nos define. Não há como falsearmo-nos. Outros podem, talvez, querer fazê-lo por nós, se já formos altamente mensurados em números. Mas nós mesmos não podemos vender a fonte, o nosso manancial, sem algum prejuízo da alma, visível por todos no final. A decadência de um bom pintor, ou de um artista, em geral, só acontece nesses casos, felizmente raros. Reparem: alguns artistas, vítimas do alcoolismo ou das drogas, pintaram, escreveram ou mesmo cantaram magnificamente até o fim, até sucumbirem, e sua última a obra é quase sempre comovente como uma síntese heroica. Isso acontece porque o espírito (ou a alma) é o último baluarte a cair...
(Guilherme de Faria)
03/07/2023