A página de cada um aqui no FB reflete com exatidão quem somos. Não há meios de nos fraudarmos, para o bem ou para o mal. Por quê? Porque nossa vaidade em letra de forma nos trai, e como um espelho reflete até a nossa falsa modéstia. Mas sosseguem, não há mal nisso. Como dizia minha avó: não matando nem roubando está tudo bem...*
(Guilherme de Faria)
Nota
*Mentira! Nunca falei com minhas avós, eu era pequeno. Uma delas apenas disse olhando para mim: "Esse menino é sem graça... não fala nada, só fica nos olhando, olhando..."
Thursday, March 19, 2020
Lembro-me de ter visto há muitos anos uma cena num jornal televisivo, em que um repórter perguntava a uma senhorinha de meia-idade, não me lembro a propósito de quê, se ela era casada. A senhora respondeu que não, e o repórter quis saber a razão daquela solteirice. "Casamento é destino", respondeu singelamente a senhorinha. Pareceu-me uma iluminação e ocorreu-me desde então que tudo "é destino" em nossas vidas. Faça você o que fizer, com ou sem esforço, só terá êxito, recompensa ou felicidade se estiver "no seu destino". Algumas coisas que eu pensei ter programado e aconteceram, logo dei-me conta de que ocorreram positivamente sim, mas de maneira diferente da programada e por razões não previstas. Muitos anos mais tarde, numa certa fraternidade aprendi a "entregar minha vida nas mãos de Deus tal como eu O pudesse conceber". Isso produziu-me um grande relaxamento e paz, pela primeira vez na minha vida. Estarei fazendo aqui uma apologia do conformismo? Sim, mas com sinal trocado. Conformar-se como virtude e não como defeito. Este é o segredo da felicidade...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
(das Memórias de Guilherme de Faria)
SOBRE MULHERES E MUSAS
Sei que há muitas pessoas que conseguem viver sozinhas. Mal posso imaginar. Eu não conseguiria sem cair em depressão mortal. "Não é bom que o homem viva só" disse Deus. Eu necessitei sempre uma mulher do meu lado. Por mais que eu ame a Arte, sem uma mulher para também amar eu não teria o suficiente para me manter "inteiro", íntegro. Eu me desintegraria em um mês. O homem solitário me parece o mais infeliz dos seres. Eu já tive períodos longos de solidão na minha vida e os lembro como os mais sombrios. Só os suportei à custa de muito álcool. Eu os temo tanto, que como reserva prudente criei uma Musa que sai de dentro de mim mesmo, que é minha própria "anima", a linda, jovem e prolífica poetisa Alma Welt. Entretanto eu sei que não poderia viver somente com ela, pois me falta o elemento de uma real esquizofrenia. Tenho muita sorte de ter há vinte e cinco anos a fiel Eliana ao meu lado, que não somente suporta mas até (pasmem!) gosta e admira a minha musa alternativa...
(das Memórias de Guilherme de Faria )
(das Memórias de Guilherme de Faria )
Um italiano me disse que o fato do vírus se chamar "Corona", coroa em italiano, os fez se sentirem particularmente endereçados pela doença, o que explica seu país ter os maiores índices de afetados. Para mim fez sentido, porque as epidemias sempre tiveram um componente psicológico nas "massas", embora subestimado.
DESABAFO
Vivemos num mundo de eternas controvérsias. Não há consenso sobre coisa nenhuma, sobre nenhuma ideia ou opinião, e já se disse que "toda unanimidade é burra". A rigor, a vida em sociedade é impossível, porque não há mais verdades absolutas e nada podemos dizer que não possa ser imediatamente contestado, em geral com ódio mortal. É cansativo. A civilização egípcia durou milênios porque permanecia com seus valores e com sua estética praticamente imutáveis ao longo dos séculos. Mas agora, eu mesmo tenho a original opinião de que se tratava da sociedade mais materialista da História, já que apesar de politeístas, embalsamavam seus apegados corpos e queriam levar suas vísceras e todos o seus pertences ou tesouros para o outro mundo. Ninguém nunca disse isso e vou ser contestado. É um inferno. A VIDA É UM INFERNO e... já sei: serei imediatamente contestado por esta afirmação por pessoas doces, esperançosas e otimistas...
(Guilherme de Faria)
Houve uma época, já antiga, no cinema de Hollywood, em que os filmes de cowboy (westerns) celebravam a figura do pistoleiro solitário, tipo Clint Eastwood, ou no cinema japonês o samurai "ronin" (errante sem emprego) tipo Toshiro Mifune. A gente, criança, assistia a esses filmes com admiração e perplexidade, pois achávamos (sem conceituar conscientemente) os justiceiros solitários o topo da humanidade. Mas nossa admiração era sobretudo porque aqueles heróis não conheciam o medo, o medo que, secretamente ou não, nos assombrava diuturnamente. Como tínhamos medo! Eu pelo menos tinha... Medo dos adultos, medo do desconhecido, medo da morte, medo da vida. Mas disfarçávamos tanto e tão bem, que hoje em dia me parece, paradoxalmente, uma espécie de heroísmo infantil.
Como é difícil crescer! Eu saí de casa aos 20 anos, sem tostão, contra a vontade de minha mãe, casado por honra (mas apavorado) com uma garota de 16 anos, grávida. Hoje em dia seria acusado de pedofilia. Tive que crescer na marra para não morrer de fome. Mas não consegui sustentar família e perdi mulher e filha para um rapaz mais apoiado. Mas eu tinha a minha arte, na qual sempre acreditei. Mas devo confessar: a dor era tanta que eu me anestesiava com o álcool com aparente tolerância, que nesse caso é sempre um pacto faustiano, que mais tarde, naturalmente, me seria cobrado...
(Das Memórias de Guilherme de Faria)
Como é difícil crescer! Eu saí de casa aos 20 anos, sem tostão, contra a vontade de minha mãe, casado por honra (mas apavorado) com uma garota de 16 anos, grávida. Hoje em dia seria acusado de pedofilia. Tive que crescer na marra para não morrer de fome. Mas não consegui sustentar família e perdi mulher e filha para um rapaz mais apoiado. Mas eu tinha a minha arte, na qual sempre acreditei. Mas devo confessar: a dor era tanta que eu me anestesiava com o álcool com aparente tolerância, que nesse caso é sempre um pacto faustiano, que mais tarde, naturalmente, me seria cobrado...
(Das Memórias de Guilherme de Faria)
Subscribe to:
Comments (Atom)