Thursday, March 3, 2022

Explicação talvez desnecessária (porque ninguém me perguntou nada)

Acabo de bloquear mais um aqui no facebook. Sou de paz, nunca ataco ninguém primeiro, mas revido imediatamente aos ataques que às vezes ocorrem na minha página, não muito frequentes, é verdade... Mas fui ver a lista dos que já bloqueei desde que inaugurei a minha página em 2008, e vi que já são centenas (!!!). Sempre esquerdistas, ignorantes e grosseiros (por definição). Eu sei, devo ser muito orgulhoso ou tenho um senso de honra antiquado e persistente. Basta uma palavra desrespeitosa dirigida a mim, e eu já fico furioso e revido com inaudita violência verbal ou ironia beirando o sarcasmo. Mas nunca começo, repito. Se eu vivesse nos séculos XVIII ou XIX , eu já estaria morto em duelo ou matado alguns. Peço mil perdões aos verdadeiros pacifistas, certamente gente muito melhor que eu.
Lembro-me que quando o governo esquerdista resolveu desarmar a população, entreguei aos agentes dois lindos revolveres e uma pistola que eu tinha desde os anos 60 (eles as olharam com cobiça), e não me arrependi e escrevi aqui no face que não me armaria de novo agora que as armas começam a ser liberadas à população de bem. Uma amiga aqui no face ficou surpresa e me perguntou: "Então você é um desarmamentista? Isso é coisa de esquerdista. Os comunistas é que desarmam a população de bem para melhor dominá-la, ao mesmo tempo que armam os bandidos e traficantes". Eu respondi que sabia disso e não era nem de longe desarmamentista, mas que eu é que não devia ter armas, porque poderia acabar matando alguém e como não tenho curso superior iria para uma cela superlotada num presidio igual ao Inferno na Terra. Mas o mais provável, é que estando uma idade avançada, posso entrar numa fase de depressão ou de alguma doença terrível e fazer como o Hemingway e tantos outros nessas circunstâncias. E não estou certo ainda que não exista mesmo o Inferno para os suicidas... Portanto, faço com as armas o que fiz com o álcool há já muito tempo, e brindando a todos, mas a seco: "Bebam e armem-se por mim... que já não posso... "
Guilherme de Faria
03/03/2022

POR QUE O MUNDO AINDA DURARÁ UMAS POUCAS DÉCADAS

 As bombas nucleares de última geração que os Estados Unidos e a Rússia têm em estoque às centenas como ogivas na ponta de foguetes intercontinentais, cada uma faria a bomba de Hiroshima parecer um traque. Todo mundo sabe disso. Por isso estamos numa continuação da Guerra Fria entre Russia e Ocidente. Não pode passar disso senão acaba literalmente o Mundo. As grandes potencias sabem que não podem entrar em guerra aberta e quente entre si porque não haveria vencedores . Uma única bomba dessas pode aniquilar inteiras cidades como Nova York ou Moscou matando toda a sua população e ainda das adjacências. E o inverno nuclear que sobreviria, mataria de fome e doenças da radiação o planeta inteiro. Repito: todo mundo sabe disso. Por isso acredito que vai ser necessário mais algumas décadas para isso acontecer, o que ocorrerá quando a destruição da Cultura e dos valores tradicionais judaico-cristãos- greco-romanos do Ocidente estiver tão adiantada, que o nihilismo e a alienação como resultado final da Revolução Cultural já não segurar os dedos suicidas dos botões vermelhos de lado a lado. Sim certamente isso ocorrerá um dia. Não é questão de "se", mas de "quando". Sim, todo mundo sabe disso. Então por que estou repisando isso? Porque acredito que a humanidade só se torna lúcida e consciente de sua vida, quando como o Damocles dos antigos gregos dorme com uma espada presa por um fio de cabelo sobre sua cabeça, desde que a espada e o cabelo sejam dele mesmo. Mas o cabelo de um dopado perde a natural resistência...

Guilherme de Faria
03/03/2022

MINHA PRIMEIRA E ÚLTIMA CAÇADA

Eu cacei uma única vez junto com uns moleques em Ouro Fino, MG. Me instaram a mirar numa corujinha sobre um cupim, eu atirei e ela caiu atrás do cupim. Corremos até lá e a vi agonizando, sentadinha no chão com as perninhas para a frente e encostada no cupim como um ser humano ferido. Estava de cabeça baixa sobre o peito, a ergueu, abriu seus enormes olhos e me encarou, depois foi fechando-os, a cabeça decaindo novamente e morreu. Fiquei tão impressionado e com tanto remorso quanto um assassino involuntário ou eventual. Jurei nunca mais caçar, e naquela noite, eu, menino de 11 anos, escrevi meu primeiro cordel instintivo e precursor, intitulado "A Morte da Coruja", no qual no final, pré-adolescente devorador de livros mas imaturo, naturalmente, coloquei a corujinha dizendo para mim antes de dar o último suspiro, as palavras atribuídas a Cesar dirigidas a Brutus ao receber deste a punhalada fatal: "Tu quoque, Brutus, fili mei?" (Até você, Brutus, meu filho?) rrrrrrssssss Só viria a escrever cordéis sertanejos novamente em 2001.
Guilherme de Faria
03/03/2022

Tuesday, March 1, 2022

Minha riqueza (crônica de Guilherme de Faria

                                       Fantasia Floral -o/s/t de Guilherme de Faria, 2022, 70x50cm

Minha riqueza (crônica de Guilherme de Faria)

Quis o meu destino que estes tempos politicamente conturbados e incertos, tão contraditórios e desconcertantes, ao mesmo tempo de paroxismo tecnológico convivendo ou mesmo produzindo uma decadência intelectual, estética e cultural... sim, quis o destino que minha velhice fosse o período mais sereno e livre da minha vida. Devo esclarecer que a minha juventude é que foi conturbada, confusa, atormentada. Eu me sentia, se bem me lembro, metafórica ou simbolicamente como quem se debatesse, como um afogado crônico, cuja sobrevivência exigia um esforço desordenado e anárquico, de braçadas inseguras em águas profundas e escuras. Exagero? Bem... por ser então jovem, bonito, talentoso e produtivo, embora dado ao álcool e à luxúria, eu disfarçava magistralmente o meu afogamento, e passava por estar com o pé no fundo, que na verdade, como todo fundo de poço, estava ainda mais em baixo.
Somente nos últimos vinte e nove anos vivo em paz, sóbrio, retirado e tranquilo como se bom fosse o mundo, e até me dando ao luxo de pintar flores imaginárias, porque nem preciso delas ao vivo, que nem sequer vasos tenho, de qualquer espécie, já que até meus pincéis coloco em latas de leite vazias, das quais apenas tiro o rótulo de papel.
Assim, suponho que se alguém que me visita para comprar uma pintura, sair com relativa boa impressão do meu exíguo e entulhado ateliê, será por um fator subjetivo, porque as pinturas e a catadupa de minhas estórias e memórias o distraíram do pó por toda parte, e da imensa quantidade de livros que agora mais acumulam poeira do que são relidos ou consultados, pois, para mim agora é tempo de escrever, mais do que de ler... e enquanto o esquecimento ou desapego não vêm, de lembrar e repassar meu rico acervo de memórias, única riqueza que acumulei na vida...
Guilherme de Faria
01/03/2022