Wednesday, June 1, 2022

Breve digressão sobre o patético

Como quase todos os artistas-pintores profissionais, eu escolhi e me dediquei a este "ofício" por pura admiração pela Pintura e sua História através dos séculos. Estudei bastante a história da Arte do Ocidente, inclusive lendo muita biografia de artistas, com especial interêsse em suas sub-histórias, isto é, o anedotário supostamente verídico das vidas deles, registro pouco confável, que, como se diz, " Si non è vero, è bene trovatto". Assim, amigos que acompanham há anos (desde 2008) aqui no facebook minhas histórias, recordações e memórias, já leram algumas dessas anedotas de artistas, que colecionei pelo prazer que me dão. Eu mesmo costumo enxergar a minha própria história, isto é, minha autobiografia sob esse viés, e com isso me preservo da tentação de me levar muito a sério. Quero dizer, tenho um "foco" (palavra que não gosto) especial sobre o patético da vida, de minha própria vida. Naturalmente isso não exclui o fato paradoxal de que no fundo sou muito orgulhoso, e reconheço meus fracassos e secretos ridículos da minha vida apenas porque ainda não me acredito derrotado totalmente no campo exclusivo da Arte, último baluarte da dignidade de um artista fracassado nos outros campos da vida comum. Em outras palavras, sim, me reconheço orgulhoso porque me identifico com aquelas últimas palavras do famoso monólogo auto-derrisório do Cirano de Bergerac sobre seu próprio nariz: "A mim mesmo eu me permito uma pilhéria boa, mas não permito que outro me a faça... En garde! " rrrrrrsss
(das Memórias de Guilherme de Faria)