Monday, November 21, 2022

Ensaio "autocrítico-laudatório" ao romance da Alma Welt

Ensaio "autocrítico-laudatório" ao romance da Alma Welt lançado este ano.
(por Guilherme de Faria)

A respeito do lançamento recente que fiz do romance da Alma Welt, A HERANÇA: O SANGUE DA TERRA, eu, de repente me pus a imaginar eventuais leitores que colocassem a seguinte questão: Qual o significado, ou sentido maior por trás dessa obra que, sem dúvida, representa o ápice da expressão da minha personagem-autora-musa, a poetisa e beldade teuto-gaúcha Alma Welt, isto é, meu heterônimo mais representativo e a cuja obra mais me dedico, acima mesmo de minha atividade de artista plástico, pintor e desenhista? Na verdade eu gostaria que os eventuais leitores dessa obra percebessem que eu quis, com a personagem protagonista e sua saga pessoal e familiar, produzir um HINO À VIDA, ao AMOR, à LIBERDADE e à INDIVIDUALIDADE, bem como à própria ARTE que permeia tudo, pela beleza e pela excelência de sua linguagem. Sim, trata-se na verdade, de um exemplo de "alta cultura" num mundo em decadência social e cultural, e portanto também da linguagem, que caracteriza a nossa época. Imagino, por exemplo, um leitor médio, inadvertido, surpreendendo-se com a linguagem culta, refinada, um tanto "romântica tardia" (no melhor sentido) da Alma narradora, que, entretanto, conservando um tom coloquial, descarta qualquer hipótese de pedantismo em sua fluente expressão.

Por outro lado, posso também imaginar, hipoteticamente, eventuais leitores que possam estranhar este texto aqui como descaradamente promocional, ou no mínimo imodesto, de uma falsa autocrítica. O povo antigamente dizia: "Elogio em boca própria é vitupério..." (rrrrrssss). Entretanto devo lembrar que a Alma Welt sendo um heterônimo, é ao mesmo tempo que "eu mesmo por dentro", uma outra pessoa, a que posso legitimamente me referir na terceira pessoa. A gaúcha Alma Welt, como qualquer um pode constatar, possui origens e uma biografia muito diferente da minha, uma feminilidade que visivelmente não tenho, um encanto e até mesmo uma coragem existencial muito superior à deste velho pintor que vos fala. Estranho, não? Mas é disso que se trata o fenômeno do heterônimo: um ser que surge com vida e luz própria de dentro do artista, embora se possa dizer isso de qualquer grande personagem de um bom escritor.
Gustave Flaubert, no julgamento público, histórico (em tribunal mesmo) de sua viva personagem, tão bem descrita quanto fútil como mulher, declarou: "Madame Bovary, c'est moi!" No meu caso, não preciso dizer que, ao contrário, tenho tanta admiração pela artista que a Alma é, como pela sua beleza física e anímica, intensa, lírica, amorosa, erótica, feminista no melhor sentido, e... notavelmente isenta de futilidades, que é, talvez, onde eu tenha interferido e escamoteado um atributo do "eterno feminino" goetheano. Afinal... eu, também como artista teria que poder me fazer valer como um Pigmaleão, ao dar um retoque final em minha obra, para que ela me transcendesse e me apaixonasse... Para por fim perdê-la para o mundo...
(Guilherme de Faria )
21/11/2022