Wednesday, December 29, 2021
CUL-DE-SAC (crônica de aniversário de Guilherme de Faria)
Fiquei matutando sobre essa frase e essa atitude insólita, que na verdade me pareceu cabotina, como se ele quisesse morrer logo, coisa que não acredito num burguês hedonista, acostumado aos prazeres da mesa, da família, da "boa sociedade", e apreciador das artes como ele era.
Quanto a mim, tenho medo sincero da morte, essa eterna desconhecida, e queria viver mesmo gritando com um pé em cima do outro, encarapitado numa pequena rocha na maré que lentamente sobe, como o personagem na última cena do filme inglês (mas de titulo francês) "Cul-de-Sac ", que poderia ser traduzido como "beco sem saída" (como a vida), de Roman Polansky dos começos, de um humor negro que viria a ser a sua marca, que é mesma a da nossa tragicômica vida nesta terra...
(Guilherme de Faria)
29/12/2021
O CACHECOL (crônica de Guilherme de Faria)
Eu passei a maior parte da minha vida na horizontal, na cama, principalmente de dia. O número de horas que vivi em decúbito supera em muito as que passei de pé ou deambulando. Entretanto não se poderia dizer que fui ou sou doente, e apenas tenho pé chato, o que me poupou, graças a Deus, do alistamento militar obrigatório aos dezoito anos. Eu apenas percebi muito cedo que a posição vertical da coluna, absurda, com as vértebras empilhadas multiplicando cada uma a pressão exercida sobre elas pela nossa impiedosa gravidade, era coisa que somente acontece com os seres humanos (certamente viemos de outro planeta de gravidade mais fraca), nunca com nenhum animal, todos com suas colunas convenientemente na horizontal. Preguiçoso? Sim, nesse sentido certamente, embora eu tenha sempre produzido muito na minha vida. Eu sempre tive a minha cama no ateliê, e deitado nela observo meus quadros ao redor pelas paredes e de onde levanto pra dar certeiras pincelados no quadro do momento, em processo, no cavalete, voltando logo para a horizontal. Surpresos? Alguns outros artistas foram assim. Me lembro de ter lido nalgum lugar uma referencia biográfica sobre o grande compositor Rossini, gordo, preguiçoso e prolífico, que morava em hotel e escrevia as suas partituras deitado na cama. E se por acaso uma folha que estava escrevendo caía ao chão ele preferia reescrevê-la de memória do que abaixar-se ou descer da cama para pegá-la.
Em criança eu também gostava de voltar à cama, após as aulas, e ficar lendo ou desenhando. Ali devorei toda a biblioteca clássica dos meus pais. Minha mãe, mulher culta, grande leitora apaixonada pela literatura clássica e acadêmica francesa que ela lia no original, se preocupava e ordenava: "Saia dessa cama, você está se tornando um rato de biblioteca, vai ficar doente! Vá pra rua tomar sol, brincar com os moleques!" Eu ia a contragosto embora com bom desempenho. Até, ainda menino, me apaixonei por uma menina de mesma idade, vizinha do quarteirão, minha primeira paixão e primeira musa, uma das primeiras histórias das minhas Memórias, que contei aqui nos meus primeiros anos de facebook. Devo entretando dizer que surpreendentemente para mim mesmo, dos onze aos 17 anos eu fiz ginastica de solo, acrobática, no Colégio Mackenzie e fui tricampeão paulista, primeiro infantil, depois juvenil, depois aspirante. A próxima categoria seria olímpica, mas eu parei porque tinha descoberto a boemia, começado a fumar e a beber e desenvolvendo uma bronquite crônica que me acompanharia até os 38 anos.
Mas ainda a respeito da vida horizontal, me lembro de um ano da minha infância em que tendo desenvolvido uma nefrite (infecção grave nos rins), por ter sofrido uma reação terrível de coceira torturante no corpo todo por ter "passado na sombra da aroeira", numa fazenda, numas férias em Ouro Fino, Minas Gerais. Coçando-me demais, as coceiras viraram feridas com pus, que foi para os rins e produziram nefrite. Diagnosticado, me foi estritamente receitado repouso absoluto no leito por seis meses sem descer dele para nada, além de regime sem sal. Fora esse detalhe, para mim foi sopa no mel. Eu não iria à escola e podia ficar lendo e desenhando o tempo todo. Minha mãe, contudo, pensando que tanto tempo na cama me entediaria, resolveu me ensinar a fazer tricô, "para passar o tempo" (coisa que na verdade eu nunca precisei). Aprendi facilmente e comecei a fazer uma tira comprida, talvez um cachecol. Pra quê... Meu pai entrou um dia no meu quarto, viu aquilo, saiu, e indo ao quarto deles, de porta fechada, começou a gritar com minha mãe com aquele vozeirão de barítono, de modo que ouvi tudo. Ele gritava: "Você quer fazer do menino um veado, uma bicha? Que história é essa de tricô? Você está louca?"
Eu, lá no meu quarto, ouvindo aquilo, fiquei bastante envergonhado. Nunca mais fiz tricô "para passar o tempo". Mas também "descurti", como se diz hoje em dia, o meu pai de uma tal maneira que não me importei mais com ele até a sua morte, e até anos recentes quando afinal comecei a lembrar de suas virtudes morais, musicais e gosto por piadas e trocadilhos, que já postei aqui em homenagem tardia ao pai que parecia não ter me feito falta alguma...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
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18/12/2021
Nota
Repito: nunca mais fiz tricô e o cachecol nunca me fez falta, nem nos invernos mais rigorosos... rrrrrrrrssssss
O ÚLTIMO MECENAS (crônica de Guilherme de Faria)
(Guilherme de Faria)
21/12/2021
DEPOIMENTINHO (de Guilherme de Faria)
Na minha vida como artista plástico, profissional desde 1962, vendi muitos milhares de desenhos e gravuras, e centenas de quadros a óleo. Minhas obras estão por aí no mundo, no Brasil e alguns outros países (EUA, Europa e América Latina) na casa das pessoas, em saguões de prédios, hotéis, e até em alguns museus (aqui em São Paulo na Pinacoteca do Estado e no MAM). Não posso me queixar de nada: o meu trabalho sempre teve facilidade de ser apreciado pelo público, embora eu note que, talvez por isso mesmo, seja um tanto subestimado pela crítica...Mas sou grato à vida: não me frustrei, não tenho amargura, despeito, nem inveja nenhuma. Não enriqueci, nunca superei minha modesta classe média de origem, talvez por me faltar o tino comercial, mas principalmente por não ter nunca me sintonizado no "canal dinheiro", e só pensar em Arte, principalmente pintura e literatura. Se para ser rico eu precisasse só pensar em dinheiro, como em geral os ricos o fazem, eu renunciaria à riqueza...
(das Memórias de Guilherme de Faria)22/12/2020
Para quem ainda não sabe...
Quando em Julho de 2001 eu descobri a brilhante poetisa e prosadora gaúcha universal, Alma Welt, dentro de mim mesmo, isto é, descobri a identidade genial e fecunda da minha "anima" feminina interior (fenômeno raríssimo, que Carl Jung certamente adoraria ter testemunhado), minhas ex mulheres detestaram o seu aparecimento e tiveram aquela típica reação de "não li e não gostei". É compreensível: eu elegia uma Musa maior e definitiva que morava dentro de mim mesmo (!!!). Somente a Eliana, minha mulher desde 1994 aceitou e até se afeiçoou à Alma, que ela chama carinhosamente de "a Alminha" e tomou para si publicar na sua página aqui no face, com exclusividade (que deixei para ela) os HaiKais da Alma Welt, escolhendo ilustrações graciosas para eles na Internet.
O quádruplo caráter de artista, musa, modelo e personagem da Alma Welt se explica pela extraordinária vida própria que a minha anima tem dentro de mim. Segundo Jung, todos os homens tem dentro de si esse arquétipo, a anima, bem como outros: o animus, o velho sábio, a criança e a sombra, mas no meu caso, como artista tive o privilégio de entrar em contato com uma "anima artista" de especial fecundidade literária e poética, num fenômeno raro de heteronomia, que já me "enviou" (por assim dizer) cinco mil sonetos dodecassílabos originais e personalíssimos, uma centena de poemas de verso livre, quinhentos HaiKais, três novelas longas (a Trilogia Mítica) uma centena de contos e crônicas e quatro romances, sendo: uma saga gaúcha autobiográfica de família em forma de trilogia, e um romance humorístico inspirado na saga sertaneja nordestina do cordel do Pavão Misterioso.No entanto, estranhamente, eu senti em 21 de Janeiro 2007 que Alma, como pessoa e personagem, morreu de forma trágica e precocemente com 35 anos, permanecendo portanto eternamente jovem dentro de mim, que continuarei "psicografando" legitimamente a minha própria anima até a minha morte, possivelmente. Àqueles que, embora inteligentes e cultos, possam duvidar de tudo isso, eu convido a visitar a já imensa obra da Alma Welt nos seus 60 blogs abertos, gerenciados e comentados por sua irmã Lucia Welt, outro heterônimo meu com lugar como personagem no seu romance A Herança. E que reparem como a Alma é viva, complexa e apaixonante. Portanto, eu, que li com paixão desde criança quase todos os maiores clássicos da literatura universal, posso afirmar com convicção e orgulho: na Alma Welt tudo é verdadeiro, sua obra, seu talento poético, seu sentimentos, sua sensibilidade e amorosidade... Ela só não é de carne e osso. Confiram.
(das Memórias de Guilherme de Faria)
29/12/2021
Monday, December 6, 2021
DIVAGAÇÕES SOBRE NADA (e talvez sobre tudo) (crônica de Guilherme de Faria)
Domingo ensolarado aqui na minha Oscar Freire, e seria dia de pastel de feira aqui perto, na Lorena, embora eu não deva porque já me sinto o fígado numa dorzinha insidiosa, malgrado uma dieta inútil que me foi recomendada e adotei. Já muito foi dito que tudo o que é bom faz mal à saúde, é pecado ou é proibido... Na verdade não tenho saudades dos meus vícios de outrora, porque quando os detive já não tirava prazer deles: tinha chegado àquele ponto dramático de "não poder viver com eles nem sem eles". Na verdade, vivi desde então (1981), muito bem sem eles.
Como consegui? Apesar de orgulhoso procurei ajuda e a encontrei. Mas não vou me estender neste diapasão, não quero enveredar pela "autoajuda", nem pelo elogio das virtudes. Quero insistir mais um pouco nas minhas divagações sobre o nada, que acabam inevitavelmente resultando sobre alguma coisa. Percebo que não é possível deixarmos de nos trair, de nos desvelarmos, de nos confessarmos quando escrevemos até sobre trivialidades ou sobre o bendito NADA.Não, na verdade não posso esvaziar-me nem um pouquinho, já que passei a vida inteira me locupletando de Arte, de cultura e de beleza, por puro hedonismo. Afinal, permaneci fiel à Beleza, que agora já não tem o poder de destruir-me, como se eu lhe tivesse cortado as garras e a domesticado. Nunca me esqueço de um vetusto amigo de juventude, Eduardo Mercier, que em Paris dos anos vinte tinha sido amigo de Modigliani e Chagall, e conhecido Picasso, e que
tendo me descoberto jovem, em 1964, em início de carreira, quando me viu tendo afinal sucesso financeiro com minha arte e me instalando em uma mansão alugada na rua Turquia, no Jardim Europa, muito franco e ácido me disse: "Rapaz, você está num acelerado processo de aburguesamento!" E deu uma risadinha sarcástica... Quanto a mim, fiquei só pensando, assimilando até hoje aquela crítica implícita, procedente, embora carregada de um certo preconceito socialista, inerente àquela geração de tantos gênios pictóricos, que ele conheceu ainda na fase heroica, isto é, na pobreza. Meu velho amigo Eduardo que me conheceu paupérrimo na minha fase expressionista, e depois "baconiana", se estivesse vivo estaria estarrecido, digo, decepcionado, com o rumo que tomou minha pintura, afastando-me deliberada e justamente dos vícios do modernismo que ele tanto amava...
BOM DIA a todos!
04/12/2021
PORQUE HOJE É SABADO (crônica de Guilherme de Faria
Hoje é de novo Sábado, dia que parece dividir minha semana, ou quase onipresente talvez por ser o Sexto Dia da Criação, e para o artista, como para Deus, (guardadas as proporções, claro) não há realmente, o Domingo, o dia de Descanso. Lembro, então, o conhecido e engraçado poema de Vinicius de Moraes, que repete como um refrão: "Porque hoje é Sábado." Igualmente para o artista não há aposentadoria, que seria como um sinônimo de morte da criatividade e do infinito labor que é nossa glória, benção e, ao mesmo tempo, maldição... Sim, porque a vida toda não pude passar mais que umas poucas horas seguidas longe da visão de minhas obras acabadas ou em andamento, me cercando nas paredes, sob pena de correr o risco de desintegrar-me como se eu não fosse senão um reflexo delas, uma miragem de mim mesmo. Loucura? Sim, loucura "braba" e mansa, quase tão dolorosa quanto prazerosa.
Ser um artista profissional, pela absoluta incapacidade emocional de ser qualquer outra coisa, de exercer qualquer outra profissão, é uma espécie de maldição, como andar perpetuamente numa corda bamba ou na beira do abismo...Mas, atenção, não me queixo de nada. Nunca me queixei de viver nesta pobreza dourada, numa gaiolinha de ouro empoeirada, sobre esta minha Oscar Freire tão prosaica e comercial, e no entanto... tão amada.
Talvez porque, além de pintor sou poeta, a banalidade não pode destruir-me, já que a transmuto imediatamente em poesia como um alquimista do cotidiano, que todo verdadeiro poeta o é...
Sim, posso conversar sem prejuízo da minha alma, sobre o tempo e a temperatura com os eventuais companheiros de elevador, ou os porteiros do prédio. E (pasmem!) até não guardar desprezo pela senhorinha costureira do andar de cima, que me perguntou o que faço, e tendo recebido a resposta: "Eu pinto", replicou imediatamente, querendo ser simpática: "Pinta o Sete?" Aaaaaiiiii...
Bom dia a todos!
Das CRÔNICAS DO SILÊNCIO II (de Guilherme de Faria)
Nestas manhãs melancólicas (serão as manhãs ou serei eu?) eu abro as persianas de rolo, cedinho, e olho lá embaixo a minha Oscar Freire, que ainda não está enfeitada para o Natal, e logo lembro daquele verso de Fernando Pessoa: "em dias tristes como sentir-se viver..." Não, não sou e nunca fui um depressivo como o seu Álvaro de Campos, e daqui a pouco estarei retocando o meu novo quadro lançado, uma bela e torturada árvore solitária no meio da neblina. A propósito, não queiram ver nela um disfarçado autorretrato... É pura fantasia pictórica, mera procura da plasticidade, que é o que motiva realmente os pintores.
Enquanto preparo o meu café, aguardo minha mulher, a Eliana, acordar, para dizer-lhe sempre as mesmas palavras, e depois de saudá-la carinhosamente, como um ritual jocoso propor-lhe: "Vamos falar do Tempo? Como é bom falar do tempo!" E ela sorri condescendente, seu belo sorriso que me acompanha nos últimos vinte e sete anos...
Como disse na crônica de ontem, já não me resta muito a dizer e começo a entrar naquela agradável falta de assunto que acompanha a rotina crescente da velhice. Como é bom já não ter muito o que dizer! Principalmente por ter vivido muito e dito quase tudo o que eu pude, o que a vivência e os bons modos me permitiram. Vocês repararam que eu nunca na vida escrevi um palavrão?
Da Simone de Beauvoir, que eu nunca li, me lembro de um título sugestivo de um livro seu: "Memórias de uma moça bem comportada", e lembro, ao contrário, como fui um moço mau comportado, sem nunca dizer palavrões ou apelar para a vulgaridade... Ah! Isso não! Em compensação, igualmente sem ter lido, me identifico com aquele título do livro (de memórias?) do poeta galês Dylan Thomas, que se suicidou e cujo nome, em homenagem, foi adotado pelo Bob Dylan: "Retrato do Artista quando Jovem Cão", parodiando o título do famoso livro de James Joyce, "Retrato do Artista quando Jovem".
Reparem que até aqui eu continuo fiel à minha nova proposta de escrever crônicas sobre nada, e consequentemente sobre tudo, num processo de livre associação de ideias, recomendada no divã pelos psicanalistas de outrora. Divagando, divagando, me reencontro comigo mesmo num novo autorretrato: "Retrato do artista quando velho."
Ou não... (como dizia o Caetano, quando era interessante e a gente não percebia que ele era socialista caviar... rrrrrrsss
CRÔNICAS DO SILÊNCIO (de Guilherme de Faria)
Atualmente minhas manhãs estão menos inspiradas, ou minhas memórias de algum interesse estão se esgotando... Tenho a impressão de que tudo o que havia de interessante no meu passado eu já contei aqui, na minha página deste querido facebook, a cuja existência sou grato. É verdade que, naturalmente tem coisas que eu não posso contar, ou por muito vergonhosas que foram, ou simplesmente inenarráveis e sinistras, e não devo invocá-las. Um homem tem direito aos seus segredos diante do público, já que não os há diante de Deus.
Espero que eu esteja entrando devagarinho naquela zona de silêncio da alma, tão desejável, que produz as melhores obras de arte. Sim as melhores crônicas e mesmo as melhores pinturas versam sobre... nada. Acredito mesmo que, quando se consegue escrever sobre coisa nenhuma uma crônica rica e interessante, é quando estamos transformando chumbo em ouro, como um alquimista ideal, ou no mínimo tirando coelhos da cartola, como um adorável mágico trivial de festa infantil.
Vejam! Acabo de escrever uma crônica sobre NADA, e vocês chegaram até aqui, não é mesmo? Não me peçam que eu dê algum sentido a este apaziguador vazio que lentamente me invade. Mas prestem atenção: não sou adepto da pura retórica em si... Apenas confio nas entrelinhas inconscientes onde mora o segredo da Existência, e que criam os versos e as pinturas que nos transcendem. E até as crônicas vazias, como esta...
Bom dia a todos!
(Guilherme de Faria)
CONFISSÃO
"Minha vida se passou inteira no âmbito da minha própria arte, quero dizer, que fora dela nada do que vivi faz sentido, nem mesmo meu encontro com as mulheres da minha vida, que sofreram muito justamente por isto. Agora que envelheço e me torno tardiamente mais humano, queria pedir sinceras desculpas a todas elas pela minha inconstância na época, meus tormentos, minhas neuroses e sobretudo pela minha incapacidade de fidelidade. Entretanto percebo, até com certa surpresa, que elas já me perdoaram e quando eventual e raramente as reencontro, o olhar terno delas sobre mim me comove, e que através do velho artista de cabelos e barba branca que me tornei, parecem estar ainda enxergando aquele jovem belo e atormentado que eu fui um dia, mas cuja aura de artista verdadeiro as conquistou. Se elas soubessem que eu sinto tanto... e que queria que tivessem sido felizes comigo, como talvez o foram com os que me sucederam, e que envergonhado reconheço que nisso eu redondamente fracassei. Elas mereciam muito mais... jovens, belas e, afinal, cândidas mulheres da minha vida..."
(das Memórias de Guilherme de Faria)
28/11/2018
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