Tuesday, May 14, 2024



Minha Oscar Freire anda particularmente modorrenta e estável, e toda a agitação, conflitos e tragédias do mundo me chegam somente pela Internet no meu computador permanentemente ligado. Posso dizer, assim, que me mantenho "antenado" no meu implacável envelhecimento físico, pelo menos não mental. Com isso, e como "velho pobre", nada posso fazer pelo querido povo gaúcho em desgraça, eu que amo tanto aquela terra a ponto de descobrir, ou revelar, uma poetisa gaúcha autêntica avalizada pelos amigos gaúchos que a leram e atestaram, sim, uma autora e Musa pampiana (e não "pampeana", vide o Aurélio), "pampeira" (se preferirem) que sai de dentro de mim, inusitadamente... de mim, que sou um paulistano empederrnido, que já não saio da minha Oscar Freire, isto é, não viajo, há pelo menos dez anos...
Então, o que posso fazer pelo povo gaúcho, nesta sua grande provação, senão me consagrar literariamente àquela terra e seu povo pelo menos do Pampa, ou "da" Pampa" como os peões autênticos dizem. Agora, pelo menos, editado e publicado em inglês, língua universal, levarei aquele povo valente e apegado à sua terra maravilhosa, ao olhar de leitores cosmopolitas que se fascinarão pelo seu exotismo, bravura, pelos seus "cowboys", os gaúchos de bombachas e lenço vermelho. o chapéu de aba levantada na frente, a barriga enfaixada, com um punhal de prata lavrada, atravessado, adormecido...
Eu sonho, apesar de tudo, depois que a minha Alma Welt decolar na Europa, Reino Unido e Estados Unidos (promovida pela grande Editora Europe Books, como prometeu por contrato) lançar os livros da Musa numa Feira do Livro de Porto Alegre, depois que as águas baixarem, e assim estarei de volta àquela terra que me acolheu de tal modo caloroso nos anos 70, a ponto de me sentir gaúcho e deixar lá tantas obras minhas a ponto de muitos pensarem que eu era um dos artistas do "Grupo de Bagé" (eu soube) emigrado para São Paulo por razões de mercado. Honra maior não há.
Por enquanto nada posso fazer de efetivo, pois não tenho meios práticos nem sou um influenciador com canal no youtube. Espero somente continuar a a alimentar a simpatia por aquele povo maravilhoso, que nunca esqueci depois da minha primeira estadia lá em Porto Alegre no Hotel Plaza San Rafael, onde fiz exposição individual de imenso sucesso na Galeria Guignard (agora extinta) , dentro do Hotel, numa época dourada da cidade, e de Novo Hamburgo (onde Alma viveu até os oito anos e sobre a qual escreveu pelo menos um conto, o "Nosso Muro Proibido" ) e onde também fiz, convidado, uma exposição de sucesso.
Sim, quando as águas baixarem quero levar pessoalmente meus imaginários tributos àquelas cidades amadas, e se Deus me permitir, antes de morrer conhecerei ao vivo o Pampa idolatrado da minha Alma gaúcha, embora minha coluna baqueada não me permita cavalgar com eles pela coxilha, sentindo o frio do Minuano, que provavelmente me fulminaria.
Sim, irei lá, irei lá, num último sonho real, dos que me foram dados viver, por pouco viajante que na verdade fui... A Alma me espera, eu sei, eu sei...
Guilherme de Faria
14/05/2024



Sunday, May 5, 2024

Dei-me conta, já idoso, que enquanto eu procurava criar beleza, às vêzes conseguindo, eu estava formando minha própria história como pano de fundo. Demorei para perceber que ela tinha também uma certa beleza, embora defeituosa, não mais passível de correções. Mas... fazer o quê ? Agora que a escrevo, vai assim mesmo...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
05/05/2024
No que concerne ao Éden e à nossa expulsão do Paraíso Terrestre, há, no Gênesis da Bíblia, um detalhe importante, que talvez, por implícito, nunca é comentado: o anjo de Deus não separou o casal ao afugentá-lo com a sua espada. Deus ao criar Eva teria dito: "Não é bom que o homem viva só" e, coerente, instruiu o Anjo nesse sentido misericordioso... Deus é um pai severo, mas não quer o pior inferno do Homem: a Solidão na terra dos homens.
(Guilherme de Faria)
04/05/2024
Se eu tivesse que definir, no meu entender, numa palavra, o timbre dominante, ou mesmo o sentido de tudo o que eu pintei, desenhei ou escrevi na vida, inclusive ou principalmente sob Alma Welt, eu escolheria a palavra NOSTALGIA. Nostalgia de quê? Sei que escolhi uma palavra um tanto indefinida... Mas eu diria: "da beleza". Sim, da Beleza perdida.
(Guilherme de Faria)
04/05/2024