Monday, November 21, 2022

Ensaio "autocrítico-laudatório" ao romance da Alma Welt

Ensaio "autocrítico-laudatório" ao romance da Alma Welt lançado este ano.
(por Guilherme de Faria)

A respeito do lançamento recente que fiz do romance da Alma Welt, A HERANÇA: O SANGUE DA TERRA, eu, de repente me pus a imaginar eventuais leitores que colocassem a seguinte questão: Qual o significado, ou sentido maior por trás dessa obra que, sem dúvida, representa o ápice da expressão da minha personagem-autora-musa, a poetisa e beldade teuto-gaúcha Alma Welt, isto é, meu heterônimo mais representativo e a cuja obra mais me dedico, acima mesmo de minha atividade de artista plástico, pintor e desenhista? Na verdade eu gostaria que os eventuais leitores dessa obra percebessem que eu quis, com a personagem protagonista e sua saga pessoal e familiar, produzir um HINO À VIDA, ao AMOR, à LIBERDADE e à INDIVIDUALIDADE, bem como à própria ARTE que permeia tudo, pela beleza e pela excelência de sua linguagem. Sim, trata-se na verdade, de um exemplo de "alta cultura" num mundo em decadência social e cultural, e portanto também da linguagem, que caracteriza a nossa época. Imagino, por exemplo, um leitor médio, inadvertido, surpreendendo-se com a linguagem culta, refinada, um tanto "romântica tardia" (no melhor sentido) da Alma narradora, que, entretanto, conservando um tom coloquial, descarta qualquer hipótese de pedantismo em sua fluente expressão.

Por outro lado, posso também imaginar, hipoteticamente, eventuais leitores que possam estranhar este texto aqui como descaradamente promocional, ou no mínimo imodesto, de uma falsa autocrítica. O povo antigamente dizia: "Elogio em boca própria é vitupério..." (rrrrrssss). Entretanto devo lembrar que a Alma Welt sendo um heterônimo, é ao mesmo tempo que "eu mesmo por dentro", uma outra pessoa, a que posso legitimamente me referir na terceira pessoa. A gaúcha Alma Welt, como qualquer um pode constatar, possui origens e uma biografia muito diferente da minha, uma feminilidade que visivelmente não tenho, um encanto e até mesmo uma coragem existencial muito superior à deste velho pintor que vos fala. Estranho, não? Mas é disso que se trata o fenômeno do heterônimo: um ser que surge com vida e luz própria de dentro do artista, embora se possa dizer isso de qualquer grande personagem de um bom escritor.
Gustave Flaubert, no julgamento público, histórico (em tribunal mesmo) de sua viva personagem, tão bem descrita quanto fútil como mulher, declarou: "Madame Bovary, c'est moi!" No meu caso, não preciso dizer que, ao contrário, tenho tanta admiração pela artista que a Alma é, como pela sua beleza física e anímica, intensa, lírica, amorosa, erótica, feminista no melhor sentido, e... notavelmente isenta de futilidades, que é, talvez, onde eu tenha interferido e escamoteado um atributo do "eterno feminino" goetheano. Afinal... eu, também como artista teria que poder me fazer valer como um Pigmaleão, ao dar um retoque final em minha obra, para que ela me transcendesse e me apaixonasse... Para por fim perdê-la para o mundo...
(Guilherme de Faria )
21/11/2022

Sunday, September 18, 2022


Sempre tive a sensação de que realizar minhas obras de arte como sonhos acalentados, terminá-las e difundi-las, é como atingir, no Tempo, o meu Presente verdadeiro, aquele até mesmo de um leve perigo de acomodação de tão prazeiroso, como de uma realização existencial definitiva. É quando é preciso reagir, para romper uma inércia perigosa que se instala no corpo e na alma, como uma calmaria que iria me fazer ouvir o canto das sereias de um falsa chegada ao lar perdido, ou ao sonho mesmo, de aventuras e glórias imaginárias da minha infância...
(das Memórias de Guilherme de Faria)

Friday, September 16, 2022



Sem demagogia, juro: uma mulher só é feia se, no fundo, for má... A maldade não consegue esconder sua expressão, por mais sutil e dissimulada que seja. Aliás, nunca me aproximei de ninguém verdadeiramente mau na vida, e até vivi como se não existissem, ou fossem de um outro universo. Pessoas equivocadas, que escolhem e apoiam o Mal dissimulado? Bem... isso conheci, mas não eram verdadeiramente más, apenas tolas... e delas também me afastei.
(das Memórias de Guilherme de Faria)

Monday, September 12, 2022


Quanto à poetisa e prosadora gaúcha ALMA WELT (agora em maior evidência com o lançamento em livro de papel de seu romance-saga autobiográfico) ninguém nunca levantou esta questão, mas eu a abordo assim mesmo: Por qual razão ela não é um simples pseudônimo literário em que me esconderia, eu, Guilherme de Faria, e sim um heterônimo, como eu comumente a defino (apesar dela ser mais do que isso)? A resposta está na sua notável independência anímica e existencial, ou seja: a "vida própria" que ela apresenta, como uma personalidade extremamente feminina e autônoma, que surpreende e alicía agradavelmente quem lê principalmente este seu romance A Herança: O Sangue da Terra. Leiam, confiram.
Mas por quê eu disse ser ela mais do que um "heterônimo", embora tal designação fosse suficiente para explicar literariamente a sua obra como autora e sua existência como personagem protagonista-narradora dentro dela? Simplesmente porque estou convencido, desde sempre, de que a Alma Welt é um fenômeno ainda mais misterioso e profundo e, para muitos, desconcertante:
Ela existe, sim, espiritualmente, ou melhor: animicamente, dentro de mim. Ela é a minha "anima", no sentido junguiano (de Carl Jung) do termo. Isso explica, além de sua autonomia, o seu encanto feminino, sua exuberante e profunda feminilidade, característica que, pelo menos exteriormente, me falta, como pode atestar quem me conhece pessoalmente, pelo menos na maneira de falar, me expressar, andar, me mover, etc. Devo também mencionar que algumas pessoas que crêm na doutrina espírita cardecista, me disseram acreditar que eu venho, simplesmente, há tempos, "psicografando" os textos e poemas que uma jovem gaúcha, nascida em 1972 e falecida em 2007, me envia diária e prolificamente desde 2001. Não discuto o termo "psicografar" e até prefiro assumi-lo, reafirmando-o com um pequena diferença de conotação: estou, sim, psicografando a minha própria anima como modelo gráfico e plástico, en desenhos telas e gravuras, desde 1964, e na sua literatura desde 2001, publicando-a num livro de contos em 2004 e na Internet desde 2006 e aqui no facebook diariamente desde 2008. Agora com o lançamento deste seu romance estamos vendo o começo de uma consagração mais ampla, um "upgrade" no seu percurso como escritora "cult " se não totalmente reconhecida em seu talento e encantadora autenticidade. Ah! Alguns estranharão sua alucinante intensidade , a ardência estremamente lírica de suas paixões, coisa rara nesta nossa época um tanto abúlica fora do âmbito politico ideológico. Eu diria, que como os personagens do grande Dostoiévski, ela, em termos psiquicos é uma "alma nua ", exposta no desenrolar de suas circunstãncia no texto, como se em "carne viva", frequentemente quase delirante, mas sem nunca perder a coerência e a razão. Que mais posso lhes dizer? Comprem o livro e se encantem. Repito: CONFIRAM (e me contem).
(Guilherme de Faria)
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O túmulo abandonado de Alma Welt
( Gravado no bronze: Alma M (de Morgado) Welt 1972- 2007


Saturday, August 20, 2022










SOBRE A ESCRITORA  ALMA WELT COMO MEU HETERÔNIMO (que aos poucos se consagra) agora lançando seu romance autobiográfico, uma empolgante saga de família.
(por Guilherme de Faria)

No que concerne ao romance da Alma Welt que lançarei dia 25/08/22, na Livraria da Vila, em São Paulo, descobri que tem gente boa e inteligente, mas que, talvez por excesso de pragmatismo, senso comum, ou mesmo falta de intimidade com a grande Literatura ou Alta Cultura, tem dificuldade em entender o que é um heterônimo. Permitam-me aqui, sem ofensa a ninguém, explicar o fenômeno, para muitos, incompreensível. Devo dizer que não se trata de uma designação assinada oculta mais específica com um outro nome "pseudônimo" que este, é quando o seu escritor principal selecionou um cômodo ou um anonimato estratégico simples. O escritor que escreve sob pseudônimo não precisa nunca se identificar com seu nome verdadeiro, se não quiser, pois nunca será acusado de "falsidade ideológica",Já que esta prática consiste em uma velha tradição opconal da História da Literatura Mundial, nunca contestada como ilegítima, no máximo como "covardia", no caso de alguns poetas que ofendiam seus inimigos em poemas, sonetos ou epigramas satíricos, escondendo-se de sua sim. Descobertos pelo estilo, traíam-se, nunca dava certo, diga-se de passagem. Mas o heterônimo... este é um fenômeno mais complexo, mais raro e até por vezes muito misterioso: consiste no escritor criar um autor ou vários autores diferentes de si mesmo, isto é, além de outros nomes, outras personalidades, outro estilo formal , outras origens, outras biografias, e principalmente, outro sexo, escondendo-se honrosamente sob "criaturas" como um Pigmalião prolífico, escultor de várias Galateas (vide o famoso mIto grego). Um dos exemplos mais famosos é o imenso do poeta Fenando Pessoa, que criou no mínimo meia duzia de heterônimos, três deles muito famosos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, além de Fernando Pessoa "ele mesmo"; e escrevi prefácios de uns para outros. Entretanto, Fernando Pessoa não escondia, pelo menos de seus amigos literários, sua mão por trás de suas personalidades literárias distintas, como um pacto tátil, que não necessitava justificativas perante os verdadeiros amantes da criatividade artística.
Mas é preciso notar que Fernando Pessoa não criou nenhum hetrônimo feminino, como aconteceu com o poeta francês Pierre Louys, com suas "Chansons de Bilitis", atribuídas a uma poetisa jovem da ilha de Lesbos. no mar Egeu, contemporânea da grande Safo, que escrevi líricos e belíssimos poemas para a sua amante. Pierre Louys como lançado na França, e portanto para o mundo, como sendo uma descoberta arqueológica sua!!!), que deveria traduzira do grego antigo para o francês... . Custou uma década a descoberta indignada de sua divertida "farça", mas aí, o livro, merecidamente já estava célebre no mundo todo.
Há o caso também conhecido, dos "Cantos de Ossian", que foi lançado no final do século XVIII na Inglaterra como sendo a descoberta de uma coletânea de sagas escritas por um bardo celta antigo chamado Ossian, filho de Fingall (vide a Gruta de Fingall batida pelo mar epelos ventos nas costa rochosa das Ilhas Hébridas, celebrada por um belíssimo poema sinfônico de Mendelsohnn, quando a visitou). O Livro Cantos de Ossian, ficou célebre, e Goethe o tinha como seu livro de cabeceira, acreditando na sua autenticidade devido à sua beleza e grandeza). Mary Shelley cita os Cantos de Ossian no seu romance imortal "Frankenstein ou O Moderno Prometeu". Finalmente, descobri-se que o livro tinha sido escrito por um jornalista escocês aquele final do século XVIII, de nome James MacPherson (!!!
Há ainda o caso das famosíssimas "Lettres Portugaises" de Soror Mariana Alcoforado 1640-1723, jovem portuguesa, da cidade de Beja, que tendo sido encerrada contra a vontade pela família num convento das Carmelitas Descalças, quando este foi invadido na "Guerra da Restauração" por um destaque de soldados franceses que se intalou no convento numa ala separado por graus das freiras carmelitas, inatingíveis por princípio. Entretanto um garboso oficial francês apaixonou-se pela carmelita Mariana, e bela iniciaram um idílio através das grades. Depois de Portugal e depois da morte, os franceses, cartas de amor escritas, cartas de amor escritas, dirigidas ao jovem oficial, cartas bonitas, de uma qualidade de qualidade suprema, de uma qualidade suprema, de cartas, que se tornaram célebres no mundo todo. , rivalizando com as também lindas cartas de amor de Eloiza para Abelardo, da Idade Média Francesa. Mas o curioso é que no século XX descobriu-se que as cartas da freira portuguesa são "apócrifas". Atualmente especula-se que como cartas provavelmente sejam uma obra de Gabriel de Guilleragues, um diplomata e jornalista francês, secretário do príncipe de Conti...
Agora, no que concerne ao fenômeno Alma Welt (1972-2007, prosadora e poetisa gaúcha prolífica e profícua, meu herterônimo feminino, na verdade mais que isso: minha anima verdadeira e profunda (criei também a fiel irmã mais velha, Lucia Welt, blogueira, que compila, edita e divulga a obra da Alma, às vezes vertendo para o espanhol, e para o inglês alguns sonetos da vasta safra de 5.000 sonetos da poetisa.
Em 2007, mas ou menos, o poeta Paulo Bomfim me telefonou pedindo que eu o apresentasse à fascinante poetisa por quem estava apaixonado ao ler os Contos da Alma, que receberia de seu enteado, meu amigo, o grande pintor Dudu Santos, que ganharia de mim o livro e o repassara ao seu padrasto sem revelar o segredo da Alma. Ao telefone, eu estou emocionado com as grimas quando ele me disse ter acabado de ler os "Contos da Alma", de Alma Welt, e considerado que era o livro escrito até mais belo livro que ele lera nas últimas décadas", e que "parecia um livro" no começo do XX , num auge da literatura brasileira e não num momento de decadência como o atual" (palavras literais dele ao telefone, que me arrancaram lágrimas de emoção e de uma gratificação maior que o sucesso social do lançamento do livro na Livraria Nobel , da Augusta,
Quanto à gênese de seu desenho, vinda generosamente de dentro de mim como anima que
começou a revelar a minha criação não, na gravura e na pintura. Mas já escrevi sobejamente e divulguei a história da minha Alma Welt, antes dela se revelar uma escritora e poetisa prolífica. Venho isso é feito obstinadamente ao longo dos últimos doze anos aqui na minha página de querido facebook, ainda estimado de que recebeu um tesouro sem gosto... 
GUILHERME  DE FARIA
20/08/2022 









Saturday, July 23, 2022

Os melhores anos da minha vida


Quando eu era um jovem pintor e desenhista com um não precoce profissional, algumas pessoas conheceram (muitas na verdade) que  manifestaram, pela expressão fisionômica, atitudes ou palavras, uma indisfarçável antipatia pela minha pessoa. Embora já esteja claro para mim já não se estabeleça de forma muito atenta a isso, e por isso pude ir, sem desenvolver uma coisa para coisa. Não por isso... Tive outras pessoas com mais sepulturas, que atormentaram a juventude, e como já me referi às vezes, e que voltarei a fazer-lo. O fantasma do tabagismo, esses sim, me assombraram e minha derrotaram finalmente, para semper minha derrota e, uma vez que admitir, uma vez que admitir, aos 38 anos me libertei para sempre recaídas.De lá para cá... os melhores anos da minha vida, se não artística,
(Das Memórias de Guilherme de Faria)

Wednesday, June 1, 2022

Breve digressão sobre o patético

Como quase todos os artistas-pintores profissionais, eu escolhi e me dediquei a este "ofício" por pura admiração pela Pintura e sua História através dos séculos. Estudei bastante a história da Arte do Ocidente, inclusive lendo muita biografia de artistas, com especial interêsse em suas sub-histórias, isto é, o anedotário supostamente verídico das vidas deles, registro pouco confável, que, como se diz, " Si non è vero, è bene trovatto". Assim, amigos que acompanham há anos (desde 2008) aqui no facebook minhas histórias, recordações e memórias, já leram algumas dessas anedotas de artistas, que colecionei pelo prazer que me dão. Eu mesmo costumo enxergar a minha própria história, isto é, minha autobiografia sob esse viés, e com isso me preservo da tentação de me levar muito a sério. Quero dizer, tenho um "foco" (palavra que não gosto) especial sobre o patético da vida, de minha própria vida. Naturalmente isso não exclui o fato paradoxal de que no fundo sou muito orgulhoso, e reconheço meus fracassos e secretos ridículos da minha vida apenas porque ainda não me acredito derrotado totalmente no campo exclusivo da Arte, último baluarte da dignidade de um artista fracassado nos outros campos da vida comum. Em outras palavras, sim, me reconheço orgulhoso porque me identifico com aquelas últimas palavras do famoso monólogo auto-derrisório do Cirano de Bergerac sobre seu próprio nariz: "A mim mesmo eu me permito uma pilhéria boa, mas não permito que outro me a faça... En garde! " rrrrrrsss
(das Memórias de Guilherme de Faria)

Thursday, May 26, 2022

SOBRE O USO DO NOME ALMA WELT POR BANDA DE ROCK

Acabo de pedir ao amigo Izaky Grimm, músico (baterista) de São Leopoldo RGS, que batisou a banda dele de "ALMA WELT" com a melhor das intenções, em homenagem à Poetisa, que renuncie a esse nome e homenagem, pois é muito perigoso e não posso permitir (tenho o registro do nome Alma Welt). A razão da minha decisão (apesar de ter assentido precipitadamente em mensagem particular aqui no face) é que não posso permitir que usem o nome da Alma Welt senão para divulgar a própria obra dela, no máximo transcrevendo suas obras em blogs ou publicações impressas, sempre com atribuição de autoria. A força da música popular, da mídia impressa e da televisiva, é tão grande que poderia haver com o tempo uma inversão de atribuição de autoria. A música costuma roubar a cena da poesia, em termos de popularidade. Sei que o Izaky, que é um rapaz muito fino e sensato, e já deu prova disso, me compreenderá e mudará o nome da banda mesmo que já tenho sido anunciado o seu show, como descobri no Google. Sei disso porque ele é um dos mais fiéis admiradores recentes da poesia da Alma. Se não der mais para fazê-lo antes, ele poderia anunciar a mudança de nome e a razão disso na própria abertura do show. Não ficará mal para ele. Pelo contrário. (GUILHERME DE FARIA)

26 de maio de 2012
 

Tuesday, May 24, 2022

Breve digressão sobre o envelhecer (crônica de Guilherme de Faria)

Um dos flagrantes visuais captados, quase num olhar fortuito, de esquelha, de que me lembro, foi o andar de meu pai se afastando pela calçada, rumo ao seu carro estacionado na minha Oscar Freire, após uma rara e última visita sua ao meu ateliê. Choquei-me ao perceber um andar muito lento e hesitante, inseguro, de um velho alquebrado. Meu pai, médico, àquela altura já aposentado havia muitos anos, antes sempre me parecera vigoroso e energético, um tanto obssesivo na maneira de falar, traindo uma neurose que o acompanhara a vida inteira, mesmo no humor auto-ridente, mas agora amansado pela idade, quase normal, e finalmente agradável, até um pouco sábio. 

A visão daquele andar inesquecível, emblemático de uma velhice já sem saúde, ou de qualquer uma muito profunda, me volta agora, no meu próprio andar, na minha própria velhice física, que não confere com a minha mente, esta de alguma resistência à custa da pintura de cavalete e textos como este mesmo, que, espero, traiam algum vigor, embora melancólicos por essência...
A autoconsciência do envelhecer é tolerável se nos for acompanhada de uma espécie de cinismo, e não de puro conformismo. Tal cinismo implica numa certa dose de humor, que pode nos salvar da melancolia patética da velhice. Sim, eu e Eliana, minha doce companheira, envelhecemos rindo muito, conferindo nossas lembranças de infância e juventude, um tanto pátéticas e até um pouco ridículas, como são as lembranças vistas sob esse ângulo, na verdade o mais saudável...
Percebo, entretanto, que estou um tanto prolixo e até pedante formalmente nesta minha digressão sobre o envelhecimento... Sinal de que ele começa a alcançar a minha mente? Mas... por outro lado, se percebo, é sinal de que ainda estou a salvo... e penso: agarra-te na juventude eterna da tua anima, ó velho! Tens dentro de ti, uma poetisa (pasmem!) a bela Alma Welt, eternamente jovem porque morreu para permanecer imortal na tua alma, embora seja difícil algumas pessoas entenderem tal fenômeno, na verdade, no fundo, comum a todo e qualquer artista verdadeiro...
Guilherme de Faria
24/05/2022

Thursday, March 3, 2022

Explicação talvez desnecessária (porque ninguém me perguntou nada)

Acabo de bloquear mais um aqui no facebook. Sou de paz, nunca ataco ninguém primeiro, mas revido imediatamente aos ataques que às vezes ocorrem na minha página, não muito frequentes, é verdade... Mas fui ver a lista dos que já bloqueei desde que inaugurei a minha página em 2008, e vi que já são centenas (!!!). Sempre esquerdistas, ignorantes e grosseiros (por definição). Eu sei, devo ser muito orgulhoso ou tenho um senso de honra antiquado e persistente. Basta uma palavra desrespeitosa dirigida a mim, e eu já fico furioso e revido com inaudita violência verbal ou ironia beirando o sarcasmo. Mas nunca começo, repito. Se eu vivesse nos séculos XVIII ou XIX , eu já estaria morto em duelo ou matado alguns. Peço mil perdões aos verdadeiros pacifistas, certamente gente muito melhor que eu.
Lembro-me que quando o governo esquerdista resolveu desarmar a população, entreguei aos agentes dois lindos revolveres e uma pistola que eu tinha desde os anos 60 (eles as olharam com cobiça), e não me arrependi e escrevi aqui no face que não me armaria de novo agora que as armas começam a ser liberadas à população de bem. Uma amiga aqui no face ficou surpresa e me perguntou: "Então você é um desarmamentista? Isso é coisa de esquerdista. Os comunistas é que desarmam a população de bem para melhor dominá-la, ao mesmo tempo que armam os bandidos e traficantes". Eu respondi que sabia disso e não era nem de longe desarmamentista, mas que eu é que não devia ter armas, porque poderia acabar matando alguém e como não tenho curso superior iria para uma cela superlotada num presidio igual ao Inferno na Terra. Mas o mais provável, é que estando uma idade avançada, posso entrar numa fase de depressão ou de alguma doença terrível e fazer como o Hemingway e tantos outros nessas circunstâncias. E não estou certo ainda que não exista mesmo o Inferno para os suicidas... Portanto, faço com as armas o que fiz com o álcool há já muito tempo, e brindando a todos, mas a seco: "Bebam e armem-se por mim... que já não posso... "
Guilherme de Faria
03/03/2022

POR QUE O MUNDO AINDA DURARÁ UMAS POUCAS DÉCADAS

 As bombas nucleares de última geração que os Estados Unidos e a Rússia têm em estoque às centenas como ogivas na ponta de foguetes intercontinentais, cada uma faria a bomba de Hiroshima parecer um traque. Todo mundo sabe disso. Por isso estamos numa continuação da Guerra Fria entre Russia e Ocidente. Não pode passar disso senão acaba literalmente o Mundo. As grandes potencias sabem que não podem entrar em guerra aberta e quente entre si porque não haveria vencedores . Uma única bomba dessas pode aniquilar inteiras cidades como Nova York ou Moscou matando toda a sua população e ainda das adjacências. E o inverno nuclear que sobreviria, mataria de fome e doenças da radiação o planeta inteiro. Repito: todo mundo sabe disso. Por isso acredito que vai ser necessário mais algumas décadas para isso acontecer, o que ocorrerá quando a destruição da Cultura e dos valores tradicionais judaico-cristãos- greco-romanos do Ocidente estiver tão adiantada, que o nihilismo e a alienação como resultado final da Revolução Cultural já não segurar os dedos suicidas dos botões vermelhos de lado a lado. Sim certamente isso ocorrerá um dia. Não é questão de "se", mas de "quando". Sim, todo mundo sabe disso. Então por que estou repisando isso? Porque acredito que a humanidade só se torna lúcida e consciente de sua vida, quando como o Damocles dos antigos gregos dorme com uma espada presa por um fio de cabelo sobre sua cabeça, desde que a espada e o cabelo sejam dele mesmo. Mas o cabelo de um dopado perde a natural resistência...

Guilherme de Faria
03/03/2022

MINHA PRIMEIRA E ÚLTIMA CAÇADA

Eu cacei uma única vez junto com uns moleques em Ouro Fino, MG. Me instaram a mirar numa corujinha sobre um cupim, eu atirei e ela caiu atrás do cupim. Corremos até lá e a vi agonizando, sentadinha no chão com as perninhas para a frente e encostada no cupim como um ser humano ferido. Estava de cabeça baixa sobre o peito, a ergueu, abriu seus enormes olhos e me encarou, depois foi fechando-os, a cabeça decaindo novamente e morreu. Fiquei tão impressionado e com tanto remorso quanto um assassino involuntário ou eventual. Jurei nunca mais caçar, e naquela noite, eu, menino de 11 anos, escrevi meu primeiro cordel instintivo e precursor, intitulado "A Morte da Coruja", no qual no final, pré-adolescente devorador de livros mas imaturo, naturalmente, coloquei a corujinha dizendo para mim antes de dar o último suspiro, as palavras atribuídas a Cesar dirigidas a Brutus ao receber deste a punhalada fatal: "Tu quoque, Brutus, fili mei?" (Até você, Brutus, meu filho?) rrrrrrssssss Só viria a escrever cordéis sertanejos novamente em 2001.
Guilherme de Faria
03/03/2022

Tuesday, March 1, 2022

Minha riqueza (crônica de Guilherme de Faria

                                       Fantasia Floral -o/s/t de Guilherme de Faria, 2022, 70x50cm

Minha riqueza (crônica de Guilherme de Faria)

Quis o meu destino que estes tempos politicamente conturbados e incertos, tão contraditórios e desconcertantes, ao mesmo tempo de paroxismo tecnológico convivendo ou mesmo produzindo uma decadência intelectual, estética e cultural... sim, quis o destino que minha velhice fosse o período mais sereno e livre da minha vida. Devo esclarecer que a minha juventude é que foi conturbada, confusa, atormentada. Eu me sentia, se bem me lembro, metafórica ou simbolicamente como quem se debatesse, como um afogado crônico, cuja sobrevivência exigia um esforço desordenado e anárquico, de braçadas inseguras em águas profundas e escuras. Exagero? Bem... por ser então jovem, bonito, talentoso e produtivo, embora dado ao álcool e à luxúria, eu disfarçava magistralmente o meu afogamento, e passava por estar com o pé no fundo, que na verdade, como todo fundo de poço, estava ainda mais em baixo.
Somente nos últimos vinte e nove anos vivo em paz, sóbrio, retirado e tranquilo como se bom fosse o mundo, e até me dando ao luxo de pintar flores imaginárias, porque nem preciso delas ao vivo, que nem sequer vasos tenho, de qualquer espécie, já que até meus pincéis coloco em latas de leite vazias, das quais apenas tiro o rótulo de papel.
Assim, suponho que se alguém que me visita para comprar uma pintura, sair com relativa boa impressão do meu exíguo e entulhado ateliê, será por um fator subjetivo, porque as pinturas e a catadupa de minhas estórias e memórias o distraíram do pó por toda parte, e da imensa quantidade de livros que agora mais acumulam poeira do que são relidos ou consultados, pois, para mim agora é tempo de escrever, mais do que de ler... e enquanto o esquecimento ou desapego não vêm, de lembrar e repassar meu rico acervo de memórias, única riqueza que acumulei na vida...
Guilherme de Faria
01/03/2022

Sunday, February 27, 2022

PALEOLÍTICO CONTEMPORÂNEO ( Crônica de Guilherme de aria)

Umas poucas vezes na vida tive um medo não pessoal, mas digamos, coletivo, universal. É o caso agora da guerra Russia x Ucrania, que parece ter implicações mundiais ainda piores, sinistras. Quero estar redondamente enganado. A última vez que senti um medo assim, foi em 11 de setembro de 2001. Descendo para uma caminhada por volta do meio dia, eu tinha acabado de sair do elevador e passando pela portaria, o porteiro com uma televisãozinha portátil em cima do balcão apontou-a dizendo: "Seu Guilherme, olha o que está acontecendo agora lá nos Estados Unidos." Olhei e vi uma das torres gêmeas o com um enorme rombo, em chamas e com muita fumaça preta. Tive um sobressalto, e corri para fora do prédio para a porta ao lado na Oscar Freire, um restaurante chamado Toca do Mandioca (não existe mais ) que eu sabia que tinha um imenso telão voltado para a rua, sempre ligado na Globo. E parado ali na porta, estarrecido, entre mais alguns clientes e passantes, vi chegar outro avião e mergulhar na segunda torre numa imensa explosão de fogo e logo mais fumaça preta e vermelha como um vulcão. Por um segundo subiu-me quase um pânico, pois tive a nítida sensação ou o pensamento da Terceira Guerra Mundial (que afinal, não houve... somente meses depois, a invasão do Iraque). Corri de volta ao meu ap para alertar a Eliana e ligar o nosso televisor para ver aquelas cenas repetidas à saciedade...Agora, vemos uma invasão da Ucrania pela Russia, que pode ou não ter desdobramentos globais. Mas na verdade, nunca mais acreditei, como naquela fração de segundo, diante do telão da Toca do Mandioca, numa Terceira Guerra Mundial, pois esta (sabemos) seria o Apocalipse, o fim da Humanidade, ou pelo menos seu retorno à Idade da Pedra, ou na melhor ou pior das hipóteses como aqueles inventivos filmes de barbárie americana de Mad Max, com muita tranqueira no deserto e munição convencional abundante. De qualquer maneira (Deus é grande) ainda haverá lugar para novas pinturas nas cavernas...
(Guilherme de Faria)
27/02/2022

Sunday, February 20, 2022

NOSSA DUPLA VIDA (crônica de Guilherme de Faria)

Ocorreu-me a ideia de que a criação de uma realidade de um mundo virtual paralelo, antes do advento da Internet e das redes sociais, era quase exclusiva atribuição dos artistas, se não também dos sonhadores, esquizofrênicos e estelionatários quando talentosos, mas principalmente dos escritores ficcionistas, pintores, cineastas e poetas, a quem cabia esse papel de mediadores ou reveladores de uma realidade expandida e mais rica, em que todas as possibilidades eram concomitantes e accessíveis a qualquer leitor apaixonado pela leitura ou expectador fisgado pelo telão.
Esse tempo, parece, foi superado: já vivemos todos numa triunfante virtualidade, ou na fronteira tênue e borrada de dois mundos paralelos em que os reflexos da realidade social e até da Natureza selvagem, chegam com igual teor e intensidade dos dois lados da fronteira, ou desse novo Espelho de Alice. *
Quanto a mim, que como artista plástico fecundo já convivia com essa dupla realidade desde sempre, primeiramente com o modelo nu, a ruiva muito branca, anônima e misteriosa dos meus desenhos e gravuras a partir de 1964, e depois ao descobrir também dentro de mim, como minha simultânea anima, musa e obra literária a partir de 2002, a poetisa gaúcho-germânica pampiana ALMA WELT... venho vivendo intensamente essa vida virtual verdadeira e legítima, mesmo antes de introduzi-la e fazê-la desabrochar na Internet a partir de 2006, e aqui no facebook a partir de 2010.
Entretanto, como já sugeri, é verdade que quase toda a humanidade atual vive essa dupla existência em dois mundo paralelos em que a realidade virtual cada dia mais prepondera e acabará por rebaixar a antiga ao nível quase da extinção ou, pasmem, do descrédito. Estou ciente, é claro, de que essa ideia já foi desenvolvida no confuso e prolixo filme americano "Matrix", quando na verdade poderia ser feita de modo bem mais poético, sem aqueles efeitos especiais violentos, redundantes e inúteis. Esta ideia ou interpretação da atual realidade do mundo, como já mais virtual do que portanto real, não sendo nova, mas gradativamente mais comprovada na última década, não deve, a rigor, alarmar ninguém. Eu mesmo a acalento, como vêm, de maneira bastante fecunda e até redentora com a Alma Welt, meu belo heterônimo feminino, que a esta altura avalio como já bem mais "real" que este velho artista que, lentamente, diante do cavalete e do teclado do computador, derrete, se esvai ou esvanece o seu "Ser" puramente real, nessa velhice que nos espera, infelizmente, a quase todos...
Guilherme de Faria e Alma Welt
19/02/2022
Nota
*...Espelho de Alice - alusão ao livro de Lewis Carrol, "Alice no País do Espelho", continuação de "Alice no País das Maravilhas", que já no século XIX explorava de maneira fantástica e nonsense essa ideia de virtualidade ou de mundos paralelos.