Friday, January 17, 2020

Durante toda a minha juventude e mesmo maturidade, eu, casado e com filhos, embora profissionalmente exercendo a minha arte com sucesso, me sentia como se carregasse cronicamente um peso imenso sobre os meus ombros, superior às minha forças... o peso da responsabilidade. Foi somente a partir da velhice, separado da família, que me senti liberto e leve psicologicamente para poder pintar meus quadros com calma, "caprichando", sem a frustrante pressa de vender sem devidamente maturá-los. Essa libertação chegou Ironicamente justo quando o corpo físico realmente começa a pesar e a doer. Mas, mesmo assim, bendita velhice: comecei a gostar muito mais da minha pintura, mais exigente, mais acabada, mais tecnicamente madura enfim...

(das Memórias de Guilherme de Faria)

Sunday, January 12, 2020

                                   Guilherme de Faria em 1977 em foto de Romulo Fialdini (São Paulo BR)

Saturday, January 11, 2020

Uma senhora belga que visitou meu ateliê com o marido, fez-me algumas perguntas não relacionadas diretamente à minha pintura. Queria entender o Brasil. Respondi-lhe que o nosso regime era uma monarquia absolutista, ao contrário da Bélgica que é uma monarquia parlamentarista. Ela ficou surpresa e perguntou quem era o rei. Eu respondi: Sua Majestade Dias Toffoli I, um tirano autoproclamado, sob o qual gemia um país de dimensões continentais. Ela apareceu abalada e me comprou um quadro com um ar de pena, como se fizesse uma caridade. Agradeci e dei-lhe uma gravurinha a mais, de brinde.
Se alguém me perguntar como foi para mim o ano passado (2019), eu devo esclarecer que avalio cada ano meu somente pelos quadros que realizei. Se pintei um único quadro que me tenha deixado satisfeito e orgulhoso, o ano em questão para mim foi salvo, "não o perdi em ninharias". É o caso do meu ano passado, em que somente pintei 19 telas, que agora exponho aqui, ressaltando a tela grande A Nova Olympia (Alma Welt), que foi a que salvou meu ano.


"Eu nunca me preocupei em ser moderno, vanguarda ou contemporâneo, nada dessas coisas. Eu só tratava de conseguir, no começo a duras penas, gostar do resultado do meu labor numa pintura, desenho ou gravura. Eu simplesmente precisava contentar meu gosto estético, artesanal e poético, já que eu amava tanto as boas pinturas e não podendo tê-las teria que fazê-las. Até hoje sou assim. Não suporto teoria em artes plásticas. Ao ouvir palavras como "conceitual", construção e "desconstrução", levo a mão aos coldres..."

(das Memórias de Guilherme de Faria)

7 de janeiro de 2016 ·