26 de maio de 2012
Thursday, May 26, 2022
SOBRE O USO DO NOME ALMA WELT POR BANDA DE ROCK
Acabo de pedir ao amigo Izaky Grimm, músico (baterista) de São Leopoldo RGS, que batisou a banda dele de "ALMA WELT" com a melhor das intenções, em homenagem à Poetisa, que renuncie a esse nome e homenagem, pois é muito perigoso e não posso permitir (tenho o registro do nome Alma Welt). A razão da minha decisão (apesar de ter assentido precipitadamente em mensagem particular aqui no face) é que não posso permitir que usem o nome da Alma Welt senão para divulgar a própria obra dela, no máximo transcrevendo suas obras em blogs ou publicações impressas, sempre com atribuição de autoria. A força da música popular, da mídia impressa e da televisiva, é tão grande que poderia haver com o tempo uma inversão de atribuição de autoria. A música costuma roubar a cena da poesia, em termos de popularidade. Sei que o Izaky, que é um rapaz muito fino e sensato, e já deu prova disso, me compreenderá e mudará o nome da banda mesmo que já tenho sido anunciado o seu show, como descobri no Google. Sei disso porque ele é um dos mais fiéis admiradores recentes da poesia da Alma. Se não der mais para fazê-lo antes, ele poderia anunciar a mudança de nome e a razão disso na própria abertura do show. Não ficará mal para ele. Pelo contrário. (GUILHERME DE FARIA)
Tuesday, May 24, 2022
Breve digressão sobre o envelhecer (crônica de Guilherme de Faria)
Um dos flagrantes visuais captados, quase num olhar fortuito, de esquelha, de que me lembro, foi o andar de meu pai se afastando pela calçada, rumo ao seu carro estacionado na minha Oscar Freire, após uma rara e última visita sua ao meu ateliê. Choquei-me ao perceber um andar muito lento e hesitante, inseguro, de um velho alquebrado. Meu pai, médico, àquela altura já aposentado havia muitos anos, antes sempre me parecera vigoroso e energético, um tanto obssesivo na maneira de falar, traindo uma neurose que o acompanhara a vida inteira, mesmo no humor auto-ridente, mas agora amansado pela idade, quase normal, e finalmente agradável, até um pouco sábio.
A visão daquele andar inesquecível, emblemático de uma velhice já sem saúde, ou de qualquer uma muito profunda, me volta agora, no meu próprio andar, na minha própria velhice física, que não confere com a minha mente, esta de alguma resistência à custa da pintura de cavalete e textos como este mesmo, que, espero, traiam algum vigor, embora melancólicos por essência...
A autoconsciência do envelhecer é tolerável se nos for acompanhada de uma espécie de cinismo, e não de puro conformismo. Tal cinismo implica numa certa dose de humor, que pode nos salvar da melancolia patética da velhice. Sim, eu e Eliana, minha doce companheira, envelhecemos rindo muito, conferindo nossas lembranças de infância e juventude, um tanto pátéticas e até um pouco ridículas, como são as lembranças vistas sob esse ângulo, na verdade o mais saudável...
Percebo, entretanto, que estou um tanto prolixo e até pedante formalmente nesta minha digressão sobre o envelhecimento... Sinal de que ele começa a alcançar a minha mente? Mas... por outro lado, se percebo, é sinal de que ainda estou a salvo... e penso: agarra-te na juventude eterna da tua anima, ó velho! Tens dentro de ti, uma poetisa (pasmem!) a bela Alma Welt, eternamente jovem porque morreu para permanecer imortal na tua alma, embora seja difícil algumas pessoas entenderem tal fenômeno, na verdade, no fundo, comum a todo e qualquer artista verdadeiro...
Guilherme de Faria
24/05/2022
A autoconsciência do envelhecer é tolerável se nos for acompanhada de uma espécie de cinismo, e não de puro conformismo. Tal cinismo implica numa certa dose de humor, que pode nos salvar da melancolia patética da velhice. Sim, eu e Eliana, minha doce companheira, envelhecemos rindo muito, conferindo nossas lembranças de infância e juventude, um tanto pátéticas e até um pouco ridículas, como são as lembranças vistas sob esse ângulo, na verdade o mais saudável...
Percebo, entretanto, que estou um tanto prolixo e até pedante formalmente nesta minha digressão sobre o envelhecimento... Sinal de que ele começa a alcançar a minha mente? Mas... por outro lado, se percebo, é sinal de que ainda estou a salvo... e penso: agarra-te na juventude eterna da tua anima, ó velho! Tens dentro de ti, uma poetisa (pasmem!) a bela Alma Welt, eternamente jovem porque morreu para permanecer imortal na tua alma, embora seja difícil algumas pessoas entenderem tal fenômeno, na verdade, no fundo, comum a todo e qualquer artista verdadeiro...
Guilherme de Faria
24/05/2022
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