Quando me sento quase diariamente para escrever, o contrário do desenhar, que faço de pé com o braço livre, uma e outra atividades me encontram com a mente esvaziada, atitude Zen que aprendi assistindo um filme de samurai, quando era jovem, em 1963, no Cine Niterói (não existe mais), no bairro japonês da Liberdade, em São Paulo. Isso quer dizer que nunca sei de antemão o que sairá de dentro de mim, do inconsciente profundo ou de uma área mais raza da psique, isto é, semi-consciente. Então, é sempre uma surpresa agradável, defrontar-me com os resultados, de texto ou meramente gráficos. Por outro lado estou bem consciente de que não estou revelando nada de novo ao descrever esse processo, uma vez que quase toda criação artística observa esses mesmos princípios técnicos, chamados universalmente de "inspiração".
Entretanto, minha mais agradável surpresa foi meu inconsciente revelar uma criatura como a Alma Welt, cuja pureza intrínseca e qualidades morais me seriam lisongeiras se não fossem misteriosamente autônomas. Sim, essa jovem mulher que sai de dentro de mim, que se liberta na sua escrita profundamente confessional, é muito superior a mim, me encanta e me enamora.
Mas não são as Musas sempre isso mesmo? E minha maior sorte existencial foi ter encontrado, já na maturidade, afinal, uma companheira (Eliana) que entende isso, e segura de seu próprio reinado, nunca me atormentou um segundo sequer com um laivo de ciúmes.
"Ora!" (diria alguém inteligente mas maldoso) " você é um hipócrita, pois isso é porque essa "musa", como eufemisticamente você a denomina, sai de dentro de você mesmo, o que torna cômoda sua aceitação por uma companheira inteligente, como costumam ser as verdadeiras mulheres dos artistas..."
De qualquer forma , isso tudo é peculiar e raro, pois os heterônimos femininos geniais se contam nos dedos de uma só mão na História da Arte universal.
Bem... minha Alma Welt está a caminho de uma consagração mundial desde que verti seu romance autobiográfico para o Inglês, idioma universal. Mas podem estar certos: nada disso aconteceria se a inusitada guria gaúcha que surgiu de dentro de mim não tivesse, por si mesma, malgrado sua vulnerabilidade e mesmo pequenos defeitos, uma dimensão arquetípica perceptível, e fosse uma simples personagem feminina como tantas por aí na literatura comum.
Leiam, leiam, meus amigos, o romance da Alma. A essa altura já posso afirmar que aqueles que o leram, se sentiram ligeiramente modificados, como quem sai de uma experÍencia existencial e psíquica positiva, sem qualquer moralismo pontificante ou veleidade de "sabedoria". Alma Welt é profundamente humana, mas tão profunda, que transcende...
Salve!
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09/03/2025
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