Por quê estou rememorando isto? Porque me ocorreu que o segredo da Alma Welt como meu heterônimo foi comprometido no ano de 2007 com o "escândalo" da gloriosa expulsão minha e da Alma do Recanto das Letras por absoluta ignorância das prerrogativas do fenômeno heteronímico por parte do editor daquele portal e de colegas poetas invejosos do sucesso da poetisa gaúcha. Desde então a ambigüidade que reina na comunicação pública que é feita da obra da Autora, narradora-personagem e musa ao mesmo tempo, e que por sua intensa vida própria, sua feminilidade autêntica, o realismo de sua abordagem das circunstâncias de suas origens autobiográficas, memórias e aventuras amorosas, vem encantando cada vez mais leitores no Brasil (e agora no exterior) desde o lançamento do seu primeiro livro de papel, os CONTOS DA ALMA, pela extinta Editora Palavras & Gestos do saudoso psicanalista Paulo Gaudêncio, que se apaixonou pela Alma e a publicou às sua expensas.
Mas voltando ao "Segredo de Polichinelo" expressão que eu já ouvia de minha mãe na infância, e hoje em dia caído em desuso, eu me reconciliei com sua deliciosa ambigüidade, que já caía como uma luva nos heterônimos poéticos do grande Fernando Pessoa, e agora na autoria das obras da nossa poetisa gaúcha pampiana, alemã-açoriana, saída de dentro de mim "par la grace de Dieu" como dizia o meu saudoso amigo idoso, Eduardo Mercier, que tinha sido amigo de Modigliani, na Paris de entre-guerras e que me faz pensar na teoria dos seis graus de (minha) aproximação com o maravilhoso pintor dos retratos de longos pescoços.
Mas há uma pergunta que não quer calar: por quê diabos a Alma Welt me surgiu como uma gaúcha alemã estancieira no Pampa riograndense, vinda de dento de mim, que sou um paulistano ultra-urbano, que moro num ateliê quase um kitchinette na decantada mas prosaica Oscar Freire, nos Jardins? Não tenho resposta até agora, e por enquanto, infelizmente, não descobri meus seis graus de aproximação com o Érico Veríssimo de O TEMPO E O VENTO ou com qualquer outro grande autor gaúcho como o lendário Simões Lopes Netto, de "A Salamanca dos Jarau".
Por outro lado lanço essa pergunta sem resposta na conta da ambigüidade que todo heterônimo que se preza, no fundo acalenta, o que, na verdade, compõe o SEGREDO : um Mistério que se quer assim: não totamente desvelado, mas como uma nudez pudica e por isso mais tentadora...
Deus me perdoe, mas eu mesmo queria ver a Alma Welt em carne e osso e tenho a "secreta" esperança de vê-la, e reconhecê-la, um dia, pelo menos "en passant" na rua, num café, num restaurante , ela, minha bela anima, quando então provavelmente cairei fulminado... poupado, portanto, das misérias de uma provável decrepitude.
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Guilherme de Faria
11/02/2025
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