Monday, March 17, 2025

PEQUENA CRÔNICA QUE SE QUER ALEGRE (crônica de Guilherme de Faria)


Vivemos tempos difíceis... Mas, pensando bem, em que época não o foram? Tal é a condição do Homem na Terra. Estou convencido da amplitude estrutural do nosso livre arbítrio, o que incorre numa escolha em ser feliz ou infeliz neste mesmo Mundo, em qualquer época ou lugar. Naturalmente, os felizes encontrarão aqueles seres ultrapolitizados que os chamarão de alienados com um desprezo tal que por vezes os abalarão. Ou lhes serão contadas estórias geniais e engraçadas como a do "João Feliz", dos Irmãos Grimm, ou hilariantes como o Candide, o Otimista de Voltaire, estórias sarcasticamente condenatórias do fenômeno do 'Bobo Alegre" . Entretanto é fato que existem as naturezas alegres profundas (cada vez mais raras), as verdadeiras vocações para a felicidade. Não esqueçamos o fato, talvez surpreendente, de que os santos não foram tristes, muito menos infelizes, nem mesmo no momento do martírio.
O mistério da psique humana... Ah! A jovem princesa grega Psiqué era de uma candura a toda prova, e sua ingenuidade amorosa nomeou para sempre nossa vida anímica, quer dizer, nossa condição bipolar entre consciente e inconsciente ou sua simultaneidade mesma, que infelizmente em nossos tempos de deuses mortos se afastou da natural candidez e alegria do amor.
Mas louvados sejão os deuses, a natureza primordial da alma é ingênua e quer ser feliz. E no meu envelhecimento, cada vez mais cheio de mazelas fisicas, me apaziguo ao me recordar da bela Canção de Zaratustra, de Nietzsche, que tentarei lembrar de cór:
"Alegria, alegria! De um sono profundo acordei .
O que diz a profunda meia noite?
A vida é profunda, a dor é profunda...
A Alegria... mais profunda que a Dor.
A Dor diz: passa e acaba,
mas toda Alegria quer eternidade.
A profunda eternidade!"
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08/03/2025

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