Quando a Alma Welt se manifestou literariamente em mim, eu pressenti imeditamente a sua vocação da universalidade: seu próprio nome já indicava isso. Seu textos confessionais, sempre na primeira pessoa, me vinham, como até hoje, de jorro, sem emendas nem rasuras, prontos e irretorquíveis. Seria assustador se não fosse encantador. Uma irmã minha (tenho duas) espírita, me disse acreditar que eu psicografo uma moça escritora que existiu mesmo, gaúcha alemã, pampiana, que morreu jovem ( 35 anos), tragicamente, em circunstâncias ambíguas. Mas eu sabia que ela vinha de dentro de mim, era minha anima interior no sentido junguiano do termo, tanto mais que ela me aparecia desde 1965 nos meus desenhos, aquela ruiva, muito branca, voluptuosa que me enviava seus nus, uma vez que eu nunca tive modelos nos meus ateliês e nunca uma mulher posou nua ou vestida para mim: eu nunca precisei. A atração que meus desenhos de nus a pincel e nanquim causaram, fazendo um enorme sucesso desde o começo, eu atribuo ao pressentimento inconsciente que o publico tem da presença da "anima", isto é de um arquétipo feminino interior a todo mundo, "a mulher todas as mulheres do mundo".
Entretanto até 2001, quando tendo perdido toda a possibilidade de sobrevivência com o fim do Mercado de litografias que me sustentara por vinte anos, eu nada mais tendo a perder e me sentindo estranhamente livre e aliviado, me sentei para escrever, e me surgiram cordéis sertanejos, estranhamente autênticos e inspirados, em catadupa e... subitamente, no meio deles, minha anima percebendo-me a escrever a sério, insinuou-se e se revelou como a escritora que era, e que até então somente me enviara a sua imagem de mulher jovem, linda e docemente sensual. Foi com o conto urbano (da fase do auto-exílio paulistano da Alma) LEMBRANÇA PRECIOSA PARA A ALMA FIEL.
Começava assim essa jornada triunfante que agora conquista o Mundo, e que já estava em si e no seu nome.
Ave, Anima Mundi !
_________________________________
Guilherme de Faria
09/02/2025
No comments:
Post a Comment