Alguém, não me lembro quem, uma vez me disse que nós artistas só falamos de nós mesmos o tempo todo e por isso somos narcisistas, e que, também, alguns de nós, por isso, beiramos a sociopatia (!!!).
Naturalmente eu fiquei alguns minutos em choque e depois me revoltei. Não! Falamos de tudo! A Alma Welt, por exemplo, na sua já vasta obra literária em prosa e verso aborda todos os aspectos da vida e da morte, só não fala nunca de pol[itica partidária e de futebol.... rrrrrssss.
- Mas você só fala da Alma!- insistiu aquela pessoa.
Bem... eu sou uma espécie de agente literário da Alma Welt, empenhado, sim, em promovê-la, mas por pura admiração por sua Obra. Mas saibam que o agora decantado romance da Alma (A Herança. O Sangue da Terra) foi escrito em 2004, num jato fluente e só decidi publicá-lo em 2022, dezoito anos depois de sua criação, que na verdade custou-me só uma semana, se tanto. Mas esse romance deve seu sucesso à bagagem de toda uma vida de acertos e de erros.
"A própria Alma Welt só fala de si mesma!" -(continuou insistindo o acirrado crítico). Eu rebati : - Como poeta, a Alma pode ser incluída no que o grande crítico literário inglês Herbert Reed denominava " o Egotista Sublime", aqueles poetas que partem de si mesmos para o universal. "Escreva com paixão e verdade sobre sua aldeia e ela se tornará o Mundo".
Depois... ninguém se queixou do monólogo introspectivo da Alma. Pelo contrário, os leitores se identificam muito, aqui e ali com a guria, pelo simples e esclarecedor fato de que ela é profundamente humana e vulnerável, apesar de sua intensidade desmedida, coragem e paixão.
"Madame Bovary c'est moi!" declarou Gustave Flaubert no julgamento real, em tribunal, de seu romance, que se confundia com ele, "comme il faut". e que o fazia correr o risco de ir para a prisão "por detratar a mulher francesa".
Eu também digo: -"A Alma Welt sou eu!"- mesmo sem o perigo que Flaubert correu, pois a minha Alma é o epíteto das mellhores qualidades femininas, e quase nada dos seus defeitos, já que a vulnerabilidade que por vezes a vitima, não ponho nessa conta.
Não! Esse perigo não corro enquanto a inversão de valores não vença definitivamente neste século caotizado.
Ah! Sem querer dar "spoyler" ( "e já dando", como dizia o Jô Soares) o julgamento da Alma já ocorreu e ela se saiu triunfante, no seu romance autobiográfico A Herança... Sim, esse livro será considerado, num futuro próximo, um texto libertador, e do melhor feminismo. Nem de esquerda, nem de direita e nem de centro, mas passando ao largo, no amplo corredor do simplesmente humano no seu aspecto mais belo, corajoso e frágil ao mesmo tempo.
Viva a Alma em nós!
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Guilherme de Faria
12/02/2025
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