Tuesday, March 18, 2025

A PASSAGEM DAS HORAS (crônica de Guilherme de Faria)

Com a velhice a nossa pele afina e parece que com isso ficamos mais sensiveis à passagem das horas. E eu me pergunto como aquele anuncio do tostines, o que vem primeiro, o Tempo ou nossa pele mais sensível... As horas voam e nós as sentimos, elas nos escapam por entre os dedos, irretornáveis, irremediáveis. Temos as memórias, é verdade... quando ainda as temos, quando o próprio Tempo não se nos adoece e no-las rouba. Gostaram do "no-las"? ( tirei do fundo do baú). Vamos ficando arcaicos, demodés, vintages, saudosistas e quase sempre de um século passado, mesmo que nos sintamos por dentro, pateticamente, com eternos dezessete. Mas atenção: não estou me queixando de nada, a não ser da artrose, da próstata inxada, da vista enfraquecendo, das apnéias e micções noturnas, das dores musculares e de um "bico de papagaio" ficando mais bicudo.
Estou brincando... a velhice aguça o humorismo de quem já o tinha, e a sabedoria latente dos mais sensíveis. A inteligência? Essa se torna menos prepotente, mais humilde.
Ah! Se fores um artista não deixes de dar ao menos uma pincelada certeira por dia, e se músico, uma escala ao piano se a artrite permitir, ou um acorde plangente ao violão, um arpejo ao violino... Poeta, escritor? Um verso ou uma crônica por dia.
Mas, sobretudo, não deixes de agradecer a Deus o dom da Vida...

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18/03/2025

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