Louis Pauwels (jornalista, escritor, pesquisador e biógrafo, fundador da revista Planète, justificando brilhantemente o orgulho e o exibicionismo extremos de Salvador Dalí, na introdução de uma biografia do pintor, escreveu:
"Um homem que carrega dentro de si grandes coisas e não se orgulha delas, esse homem está perdido. As grandes coisas quando humilhadas se revoltam contra a sua morada. Esse homem se tornará mais infeliz e mais miserável que o menos aquinhoado. Lei implacável."
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A dançarina americana Isadora Duncan, no começo do século XX , já famosa na Europa, sempre ávida por conhecer pessoalmente as grandes personalidades artísticas do "Grand Monde" europeu , quando era apresentada a um desses famosos personagens geniais masculinos logo se oferecia para ter filhos com eles. Fez isso algumas vezes. Quando conheceu o dramaturgo George Bernard Shaw, já velhusco e muito célebre e admirado também por seu humor ferino e presença de espírito, Isadora lhe disse: "Senhor Shaw, quero ter um filho consigo, para que ele nasça com a minha beleza e com a sua inteligência". Ao que Shaw respondeu: "Minha senhora, é melhor evitarmos... A criança poderá nascer com a sua inteligência e a minha beleza. "
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Picasso quando morava em Cannes, no verão em sua mansão ateliê chamada "La Californie", ia muitas vezes à praia, cercado de uma entourage de amigos. Uma vez sentado na areia, contemplando o pôr do sol, uma senhora, amiga sua de ocasião, sentada ao seu lado, fez um gesto descortinando aquela visão e disse: "Olhe, Pablo, este poente! O quê você acha?" E Picasso, com seu sutil sarcasmo, respondeu: "Ah! Se eu fosse um pintor de arte!..."
Picasso quando morava em Paris, no entre guerras, uma vez, cercado de sua corte de amigos mais ou menos deslumbrados, entrando em um famoso bistrô frequentado por artistas, escritores, poetas e pintores, sentou-se numa mesa acercado de sua "entourage" tagarelante, e tendo pedido ao garçon uma bebida, talvez um licor numa tacinha minúscula que pousada na mesa ficou sem que ele a tocasse, com olhar perdido, displicente, calado, fumando sem parar. Então, uma senhora do grupo, forçando intimidade perguntou-lhe alto: "Pablo. o que você acha do impressionismo? " E Picasso, com o memo olhar distante, displicente, respondeu: "O Impressionismo? Ah!... É ótimo quando precisamos saber se devemos levar o guarda -chuva... "
Nota:
Picasso no seu genial e sutil sarcasmo habitual, neste episódio se referiu ao impressionismo como se fosse um mero barômetro climático, já que os pintores daquela escola se propunham a pintar a cor local, frequentemente na mesma cena, em variações de cor causadas pela mudança de hora e de clima.
Não é preciso dizer que no bistrô inteiro se fez um silêncio de cinco segundos e depois explodiu uma imensa gargalhada uníssona de todos os presentes. No dia seguinte, o "tout Paris" comentava e ria...
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