Como têm visto os amigos que acompanham minhas postagens, muitos dos meus quadros inspiram sonetos da Alma Welt que os interpretam e descrevem. Raras vezes ocorre o contrário: o quadro é que ilustra o soneto. Meus quadros quase sempre têm um caráter simbolista, que o soneto revela, então, mais claramente. Um dos meus sonhos (ainda os tenho) seria publicar um livro em cores desses sonetos ilustrados pelos meus quadros. Mas sairia muito caro e não há mais mecenas, que eu saiba, hoje em dia, como havia na minha juventude. O último foi o Dr José Nemirowski, que me bancou com uma boa mesada por um ano em 1966, sem querer nada em troca. Presenteei-lhe no final com um quadrinho de sua escolha que ele nem queria aceitar, e insisti por gratidão. Dez anos depois encontrei-o numa happy hour regada a whisky doze anos numa roda à mesa da saudosa Galeria Cosme Velho, na Lorena. E ele me disse, na frente de todos: "Rapaz o seu quadro está resistindo bem na minha coleção..." Não preciso nem dizer o quanto eu fiquei feliz com aquele cumprimento. Entretanto, depois dele falecido, a Fundação Paulina e José Nemirowski não ostenta em suas paredes cheias de Tarsilas, Portinaris e Volpis, o meu quadrinho. Quero acreditar que está na "reserva técnica", esperando a minha morte, pra subir...
(Guilherme de Faria)
21/12/2021
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