Wednesday, May 5, 2021

TRIBUTO ÀS MARAVILHOSAS MULHERES DA MINHA VIDA (crônica de Guilherme de Faria)

Todas as manhãs quando acordo, depois do café, antes de começar a pintar tenho vontade de escrever algo aqui no nosso face. Em geral uma crônica, uma memória ou um soneto da minha Alma Welt (que pra quem não sabe sou eu mesmo). Entre a pintura e a literatura, meu coração só não balança porque considero uma a extensão da outra, pelo menos no meu caso. É preciso dizer que desde menino mostrei minha obras com desenvoltura e segurança, e fui recebido com uma aceitação bastante grande talvez pela minha atitude mesma, de certeza absoluta, provavelmente me auto superestimando, reconheço.
Mesmo com essa aceitação fácil desde jovem, meu caminho foi atribulado, e bastante sofrido por uma luta interna comigo mesmo noutros planos, que não propriamente na arte em si. Já revelei muito dessa minha jornada ao longo destes meus 78 anos, nas minhas memórias fragmentadas neste facebook nos últimos doze anos.
Casei muitas vezes mas estou no meu sétimo casamento há já 27 anos. É preciso dizer, a bem da verdade, que considero "casamento" cada vez que coabitei com uma mulher nos meus consecutivos ateliês, ou que elas trouxeram suas escovas de dentes e colocaram no armarinho de espelho do banheiro.
Sempre necessitei da intimidade de uma mulher no meu cotidiano... elas, por sua vez, espelhos fundamentais da anima masculina. Entretanto como já contei em outras ocasiões, num momento de solidão, exausto do embate da difícil convivência com elas, descobri a identidade ou personificação da minha própria anima pessoal, em Julho de 2001, e revelei imediatamente ao meu pequeno círculo de amigos a inesperada poetisa e prosadora gaúcha pampiana Alma Welt, de aparente inexplicável (em mim) ascendência alemã por parte de pai e açoriana por parte de mãe. Estranho fenômeno, reconheço, ainda não totalmente esclarecido. Ainda mais que ela me apareceu (se insinuou com um inesperado conto confidencial quando me viu sentado escrevendo também inusitados cordéis sertanejos em catadupa) se revelando como escritora e finalmente a identidade misteriosa da "modelo" ruiva desconhecida e sem nome, de meus desenhos, gravuras e pinturas desde 1964. Uma curiosidade: as minhas ex-mulheres a detestaram à primeira vista, numa atitude de "não li e não gostei", com exceção justamente da Eliana, minha atual e definitiva companheira, que com surpreendente desprendimento se afeiçoou à que ela chama "a Alminha", e tomou para si publicar na sua página os haikais da Alma, para o qual ela escolhe graciosas ilustrações na internet. Em quase todas as outras presumi logo que, revelando uma Musa maravilhosa, ao mesmo tempo poetisa notável surgida de dentro de mim mesmo, despertei nelas muita mágoa e ressentimento... e talvez, mesmo, despeito. Compreensível...
Belas e queridas mulheres da minha vida!... Queria que soubessem o quanto lhes sou grato e o quanto sinto tê-las decepcionado. Reconheço que o artista é, sim, uma espécie de monstro psicológico um tanto sugador, difícil de conviver. Mas também quero que reconheçam o quanto as cantei como arquétipo feminino, difuso embora, em pintura, desenho, gravura, prosa e versos... o que provavelmente continuarei fazendo até o fim, já que vocês são, na verdade, inalcansáveis como também as paisagens imaginárias da minha pintura.
Agora vou revelar uma última fantasia impossível, talvez patética: vê-las no fim, eu invisível pairando de cima, todas juntas no meu velório em torno do meu caixão, tagarelando, amigas... e talvez uma ou outra lágrima quase secreta...
Risos, risos, e risos...
05/05/2021

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