Os dias e as semanas estão passando depressa demais, todo mundo já notou (ainda ontem era Domingo, e eu escrevia sobre o amanhecer modorrento da minha Oscar Freire e os chamados dos invisíveis bemtevis). Trata-se talvez de um dos fenômenos decorrentes da Internet. Vocês já repararam como as horas desaparecem quando estamos "on line"? Estamos cada vez mais tempo nessa condição sem paralelo na história humana, inédita até então para quase todos, com exceção dos escribas do antigo Egito, ou do Balzac no Século XIX, que escreveu tanto compondo A Comédia Humana, que um homem comum precisaria mil vidas (e sem o mesmo resultado, claro)... Entretanto estamos quase sempre lançando palavras ao vento, como há não muito tempo jogávamos conversa fora nas mesas dos botecos, virando copos de chope.
Mas, não há nada a lamentar, senão os que se vão antes de nós, vitimas ou não da Peste, enquanto jogamos um xadrez virtual com a Morte, mas com o mesmo sentido do jogo do cavaleiro do filme do Bergman. Ou a mesma falta de sentido, senão a inusitada poesia daquela imagem...
A trágica condição humana seria isso, talvez: não sabermos o sentido da Vida, diante da inevitabilidade da Morte.
Quanta a mim, como muitos, agarro-me à Arte, que faz algum sentido em si mesma, já que dura tanto que parece imortal ou pelo menos bastante tolerada por Deus...
Mas devo dizer que continuo achando heroico o nosso esforço humano em buscar a alegria e até mesmo a felicidade terrena como algo duradouro.
Nietzsche escreveu estes versos imortais:
"... A dor diz : Passa e acaba.
Mas toda alegria quer eternidade.
A profunda eternidade..."
29/05/2021
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