Estive pensando... a única coisa que me tiraria o gosto da vida, seria perder o dom da Arte com que fui agraciado ao nascer. O grande poeta Rainer Maria Rilke escreveu na sua primeira carta a um jovem poeta: "Você deve se perguntar: ""Eu morreria se me fosse vedado escrever? Se a resposta for "não"... não tens mais o direito de fazê-lo".
Creio que pintar e escrever, ou o exercício de qualquer arte, deve ser visceral, ou... nada. O diletantismo e o hobby sempre me foram suspeitos, uma forma de descompromisso não referente aos colecionadores apaixonados, estes, sim, necessários às artes como os mecenas de outrora.
Eu tive, por períodos, alguns mecenas na minha vida, que me ajudaram a sobreviver em momentos dramáticos (já narrei aqui, em fragmentos das minhas memórias, esses períodos sombrios, subitamente iluminados por esses homens). Queria poder dizer a eles (alguns há muito falecidos) o quanto sou grato: eles adquiriram muitas obras minhas, oportunamente, sem que eu pedisse, talvez pelo meu excessivo orgulho.
A pintura é uma arte cara. Não tanto, é verdade, como as artes cênicas, mas ainda assim dispendiosa. A maioria das pessoas não tem ideia do preço exorbitante das telas, tintas e pincéis... Van Gogh só conseguiu realizar sua maravilhosa obra graças a um dos maiores mecenas da História: seu irmão Theo, a quem a humanidade reconheceu o mérito, e deve tributo.
Na verdade estou descrevendo isso tudo de modo geral, pois não posso ter certeza da posteridade das minhas modestas obras, mas confesso que deposito maiores esperanças nas da minha poetisa, a Alma Welt, meu heterônimo feminino, autora entre contos crônicas e romances, de cinco mil sonetos notáveis, ao me ver. O falecido poeta Paulo Bomfim ao ler doze de seus contos no livro "Contos da Alma" (editora Palavras&Gestos) publicado em 2004, me afirmou ser a Alma Welt o maior fenômeno da heteronomia da História da literatura (desde Fernando Pessoa) de que ele jamais teve notícia (literalmente palavras dele).
Por que estou escrevendo isso? Certamente porque só acredito na "vocação de eternidade", que é a única coisa que justifica o predomínio do homem como ser vivo na Natureza, sobre a Terra. Sem a Arte o homem perderia o sentido, e Deus certamente nem nos teria criado...
(Guilherme de Faria)
31/05/2021
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