Quando morre um amigo sentimos uma dor genuina, mas quando nos é um mero conhecido, quase sempre não sentimos nada, talvez somente um vago medo da própria morte, por um instante, ao relembrá-lo... e que serve para ao menos reconhecermos nossas amizades, mais ou menos profundas. Talvez por isso nossos terapeutas, quando bons se recusem a se tornar nossos amigos: para não sofrerem junto conosco, certamente, o que seria contraproducente do ponto de vista terapêutico. Sim, porque a verdadeira amizade em vida não foi feita para diminuir nossa dor, apenas para compartilhá-la. Chorei poucas vezes na vida por amigos perdidos, e somente muito tempo depois, ao lembrar deles num certo momento de especial beleza... Sim, confesso, só a beleza me faz chorar. Mas o que me absolve e me humaniza é que o reconhecimento da beleza é sempre uma expressão do amor... "
(Entrevista com Guilherme de Faria)
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