Tuesday, January 24, 2023

RENÚNCIA À MALDIÇÃO

(crônica-depoimento de Guilherme de Faria)

Fazer coisas bonitas e poéticas não é certamente condição "sine qua non" de um artista. É apenas sinal de uma índole benevolente. Há artistas muito bons que são agressivos, cruéis, e pessimistas, como Francis Bacon, por exemplo, ou como o maravilhoso Goya da fase negra tardia. Fui assim na primeira parte da minha juventude. Era muito elogiado e vendia pouco, quase nada. "Então mudaste por concessão?" (poderia alguém perguntar). Não! Não vendi a alma. Pelo contrário, resgatei-a, comprei-a de volta, renunciei à minha própria tragédia e à dor. Renunciei à glória precoce dos "malditos" mesmo ao preço de uma posteridade mais incerta e duvidosa. Persegui, como a maioria, a felicidade e não me arrependo: cheguei bem perto dela.

19/01/2023

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