Thursday, March 3, 2022

MINHA PRIMEIRA E ÚLTIMA CAÇADA

Eu cacei uma única vez junto com uns moleques em Ouro Fino, MG. Me instaram a mirar numa corujinha sobre um cupim, eu atirei e ela caiu atrás do cupim. Corremos até lá e a vi agonizando, sentadinha no chão com as perninhas para a frente e encostada no cupim como um ser humano ferido. Estava de cabeça baixa sobre o peito, a ergueu, abriu seus enormes olhos e me encarou, depois foi fechando-os, a cabeça decaindo novamente e morreu. Fiquei tão impressionado e com tanto remorso quanto um assassino involuntário ou eventual. Jurei nunca mais caçar, e naquela noite, eu, menino de 11 anos, escrevi meu primeiro cordel instintivo e precursor, intitulado "A Morte da Coruja", no qual no final, pré-adolescente devorador de livros mas imaturo, naturalmente, coloquei a corujinha dizendo para mim antes de dar o último suspiro, as palavras atribuídas a Cesar dirigidas a Brutus ao receber deste a punhalada fatal: "Tu quoque, Brutus, fili mei?" (Até você, Brutus, meu filho?) rrrrrrssssss Só viria a escrever cordéis sertanejos novamente em 2001.
Guilherme de Faria
03/03/2022

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