Quando temos uma ampla e lúcida memória retrospectiva da História Universal desde os primórdios da civilização humana, não nos alarmamos com aparente decadência da sociedade ocidental moderna, porque estamos conscientes de que no balanço geral o mundo nunca foi melhor nem pior. Se nos lembrarmos dos horrores do século passado (o XX) com duas Grande Guerras Mundiais, o comunismo e seus genocídios, o fascismo e o nazismo, o Holocausto, os genocídios japoneses sobre os chineses (depois os dos chineses sobre si mesmos), e os dos americanos com as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, e toda a violência do racismo, das revoluções e das drogas, dos crimes e perversidades do cotidiano urbano ou rural, percebemos que o mundo sempre foi o mesmo, redimido por sua belezas e grandezas, mas sobretudo pelo Amor e Arte Humanos. Qual a diferença, então, que faz com que este momento atual do mundo, neste começo do século XXI, pareça tão decadente e desastroso, apesar das maravilhas do atual estágio da Tecnologia? Resposta: justamente um dos aspectos centrais da mesma tecnologia: o das comunicações que nos põe em contato imediato com o mundo inteiro em tempo real e portanto também com as desgraças, os crimes e as perversidades, sem que possamos mais nos alienar e ignorá-las como foi possível para muitos no passado. Agora a consciência coletiva é inevitável e isso produz uma nova ilusão apocalíptica ou no mínimo uma crescente depressão exógena nas populações urbanas.
Diante disso, na nossa impotência política de cidadãos comuns , normais e humildes, e na ausência para muitos de uma verdadeira Fé, e na impossibilidade atual de nos alienarmos das realidades mais sórdidas ou cruéis do mundo, que adotemos, se possível, aquela atitude Zen do monge que fugindo da perseguição de um tigre cai num despenhadeiro mas se agarra num arbusto no barranco sobre o precipício. Com o tigre por cima tentando alcançá-lo com as garras, e o abismo por baixo, o monge suspira, colhe e saboreia uma frutinha que notou no arbusto...
Uma boa tarde de quarta-feira para todos.
(Guilherme de Faria)
19/07/2023
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