Minhas lembranças são muitas porque são sobretudo subjetivas. E por isso, além de percepções sutis de momentos aparentemente banais, incluem, de algum modo, cada quadro meu, se não cada pincelada, cada traço. Sempre dei mais valor à obra dos homens do que a vida em si. Fernando Pessoa, ao que parece, também assim o fazia, quando escreveu ser, como pessoa, somente a lenha da fogueira de sua obra. Por isso também escrevi sonetos, poemas, contos, crônicas, novelas e romances, atribuindo a heterônimos, porque uma vida só, não me basta. A vida vivida? Deixei para trás bem mais fracassos do que triunfos. Mas... quê importa? Nunca quis ser senão um artista, isto é: um meio, não um fim...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
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