Friday, January 17, 2020

Durante toda a minha juventude e mesmo maturidade, eu, casado e com filhos, embora profissionalmente exercendo a minha arte com sucesso, me sentia como se carregasse cronicamente um peso imenso sobre os meus ombros, superior às minha forças... o peso da responsabilidade. Foi somente a partir da velhice, separado da família, que me senti liberto e leve psicologicamente para poder pintar meus quadros com calma, "caprichando", sem a frustrante pressa de vender sem devidamente maturá-los. Essa libertação chegou Ironicamente justo quando o corpo físico realmente começa a pesar e a doer. Mas, mesmo assim, bendita velhice: comecei a gostar muito mais da minha pintura, mais exigente, mais acabada, mais tecnicamente madura enfim...

(das Memórias de Guilherme de Faria)

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