Tuesday, April 11, 2023

Pra não dizer que não falei de flores..."

Quando eu era jovem, pensando que eu era "moderno", eu tinha um secreto preconceito contra quadros de flores (que eu conhecia mal na "historia da Arte"). No que dizia respeito a pintar flores eu pensava naquelas "tias" que quando na infância a gente visitava com a família, tinha sempre uma que pintava flores, em geral rosas repolhudas que eram exibidas com desmedido orgulho, causando-me secreta repulsa, senão engulhos. Infelizmente eram mesmo muito mal pintadas e comprometiam o gênero, para mim, que ainda não conhecia a produção de Van Gogh, Monet, Renoir, e Manet, desse maravilhoso filão temático-pictórico.
Somente em 2018, setentão, me sobreveio inesperadamente um "surto floral", de que agora me orgulho e até me surpreendo, já que pinto sem modelo: nunca entrou sequer uma única rosa no meu ateliê e nunca tive um vaso ou floreira, muito menos de vidro, e meus pincéis pousam como únicos ramalhetes em latas vazias de leite, de alumínio. Minhas flores não são sequer imaginárias, e são exercícios pictóricos expontâneos, que evocam com certo realismo algumas flores que realmente existem, embora outras não... (com as borboletas idem).

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