Quando eu era jovem, pensando que eu era "moderno", eu tinha um secreto preconceito contra quadros de flores (que eu conhecia mal na "historia da Arte"). No que dizia respeito a pintar flores eu pensava naquelas "tias" que quando na infância a gente visitava com a família, tinha sempre uma que pintava flores, em geral rosas repolhudas que eram exibidas com desmedido orgulho, causando-me secreta repulsa, senão engulhos. Infelizmente eram mesmo muito mal pintadas e comprometiam o gênero, para mim, que ainda não conhecia a produção de Van Gogh, Monet, Renoir, e Manet, desse maravilhoso filão temático-pictórico.
Somente em 2018, setentão, me sobreveio inesperadamente um "surto floral", de que agora me orgulho e até me surpreendo, já que pinto sem modelo: nunca entrou sequer uma única rosa no meu ateliê e nunca tive um vaso ou floreira, muito menos de vidro, e meus pincéis pousam como únicos ramalhetes em latas vazias de leite, de alumínio. Minhas flores não são sequer imaginárias, e são exercícios pictóricos expontâneos, que evocam com certo realismo algumas flores que realmente existem, embora outras não... (com as borboletas idem).
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