Domingo de novo. Num piscar de olhos, domingo, novamente. Nesta quarentena, tenho a impressão de viver num permanente "déja vu". A propósito, antes que me esqueça, tenho uma grande irritação ao ouvir os americanos nos filmes falando "deja vu", assim com o som de "u" mesmo, sem a pronuncia francesa de ü, com biquinho com som entre o "u" e o "i", como se deve quando não se é um ignorante. Grrrr, rrrrraios.. raios! rrrrrrrrssss...
Bem, mas idiossincrasias à parte, imagino que essa sensação está se tornando comum, dentro das casas que levam o lockdown a sério, no mundo todo: uma alucinação coletiva.
Entretanto prometi que não iria generalizar meus sentimentos e sensações, pois sei que sou uma "avis rara" (iiiiihhhh! que expressão mais arcaica!). O fato é que estou talvez alucinando, sem de fato perceber. Vejam: eu fico pintando, escrevendo e publicando diariamente aqui no facebook como se eu tivesse "voz e vez", e não fosse, como digo à Eliana, um "pintor de rodapés", um "borra botas" caprichoso, num mundo que se esboroa... Ou não, como dizia o Caetano.
Chega! "Basta de comédias na minh'alma !" (como dizia o Pessoa).
Sinto que estou pirando lentamente... mas, pensando bem, quando não estive? Talvez a vida seja isso, um lento enlouquecimento rumo à alucinação máxima que é a Morte. Ah! é isso! Saquei! A morte, na verdade é a alucinação culminante, a última. Nesse sentido, a rigor, não existe! A Morte não existe! VIVA LA VIDA! (como escreveu Frida Kahlo, num quadrinho de melancias)...
(Guilherme de Faria)
30/05/2021
No comments:
Post a Comment