Lembro-me de ter visto há muitos anos uma cena num jornal televisivo, em que um repórter perguntava a uma senhorinha de meia-idade, não me lembro a propósito de quê, se ela era casada. A senhora respondeu que não, e o repórter quis saber a razão daquela solteirice. "Casamento é destino", respondeu singelamente a senhorinha. Pareceu-me uma iluminação e ocorreu-me desde então que tudo "é destino" em nossas vidas. Faça você o que fizer, com ou sem esforço, só terá êxito, recompensa ou felicidade se estiver "no seu destino". Algumas coisas que eu pensei ter programado e aconteceram, logo dei-me conta de que ocorreram positivamente sim, mas de maneira diferente da programada e por razões não previstas. Muitos anos mais tarde, numa certa fraternidade aprendi a "entregar minha vida nas mãos de Deus tal como eu O pudesse conceber". Isso produziu-me um grande relaxamento e paz, pela primeira vez na minha vida. Estarei fazendo aqui uma apologia do conformismo? Sim, mas com sinal trocado. Conformar-se como virtude e não como defeito. Este é o segredo da felicidade...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
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