Sunday, May 4, 2025

PASTÉIS DE FEIRA (crônica de Guilherme de Faria)

De uns poucos anos para cá tomou-me o hábito, nas manhãs de domingo, de ir à feira comprar pastéis de carne para mim e Eliana, minha mulher. Os maravilhosos pastéis de feira, quase uma tradição de muitos urbanóides como nós.... Este lado comezinho em mim pode surpreender os amigos, que aqui me veem sempre só falando de Arte e Literatura, e atribuindo à minha Alma Welt uma quase total ausência de futilidade ou inconsequência, mesmo com certo erotismo, aparentemente vivendo numa permanente dimensão poética do Ser. Entretanto, a bem da verdade, devo revelar aos amigos virtuais ou não, que vejo muita televisão, acompanho Séries policiais nos canais a cabo, como Blue Bloods, Bull, além do canais Lifetime e o ID. Além disso sou cinéfilo e tenho uma enorme coleção de DVDS de filmes clássicos, e até alguns de Terror. Também releio alguns clássicos de literatura que mais amei, além de escrever diariamente algum texto da Alma, e organizar sua edições para publicação. Dá tempo para tudo isso, Guilherme?( poderia alguém, incrédulo, me perguntar)... Dá, sim, porque para mim o tempo é contínuo e infinito, pois não sou metódico e nunca tive dois dias iguais em minha vida inteira... nunca trabalhei senão para mim mesmo. Na verdade, nem considero trabalho nada a que me dedico, em perpétuo prazer lúdico, para evitar a duvidosa palavra "diversão", de sentido ligeiro ou superficial. Sim, porque tenho a pretenção de viver em profundidade de ser, requisito fundamental da Arte. Estão achando isso tudo muito pretencioso? Sinto muito, sou assim. E por isso nunca gostei de jogar conversa fora ou falar de "nada" ou "abobrinhas". Nem no meu tempo de conversas em bares regadas a álcool na minha juventude, quando também só me sentava em bares ou restaurante com amigos artistas. Quero dizer com isso que nunca fui um tipo realmente "sociável", tenho a tendência de discorrer ou de ser sempre meio didático. Ah! Sim, e de sempre contar histórias fictícias ou reais, de minhas vivências e memórias. Sim, de ser artista em tempo integral. Naturalmente eu seria insuportável para muitos, imagino, mas nunca convivi ou me relacionei com pessoas que não amassem a Arte e não admirassem os artistas. Muito menos com pessoas vugares. Por incrível que pareça, só as conheço de um ou outro personagem secundário de filmes de ação, comerciais e rasteiros. Mas devo também dizer que gostei sempre de conversar com pessoas simples e puras como os sertanejos nordestinos que povoam meus cordéis, ou os gaúchos do cenário de fundo do Pampa da Alma Welt (vide suas Crônicas). Mas atenção, não estou me gabando de nada. Talvez um certo orgulho, admito... Quanto a isso quero fechar com este parágrafo de abertura do escritor e editor Louis Pauwells, no prefácio de um livro que ele escreveu sobre Salvador Dalí: "Um homem que tem dentro de si grandes coisas e não se orgulha delas, esse homem está perdido. As grandes coisas quando humilhadas se revoltam contra a sua morada. Tal homem se tornará mais vil, mesquinho e infeliz do que o menos aquinhoado. Lei implacável." _______________________________________ 04/05/2025

No comments:

Post a Comment