Friday, February 14, 2025

UMA CRÔNICA FECUNDA SOBRE... NADA? (de Guilherme de Faria)

 Meus amigos aqui do face sabem que eu me propuz a ecrever e postar uma crônica diária, o que não é tarefa fácil, pois que às vezes tenho a impressão de que já falei, e esgotei, tudo o que tinha no coração, por assim dizer...


Como, Guilherme? Isso não é possível! Um coração de artista sempre se renova, e a vida, em si, é um caleidoscópio inesgotável, e pode ser narrada por infinitas "personas" que só um escritor pode encarnar, ou desenvolver...

Sim, é verdade, e também, com arte sempre se pode escrever com grande interesse sobre NADA... sobre o vazio, se pelo menos encontrarmos nele um resquício, um odor, uma saudade talvez, que nos desperte a memória como uma "madeleine" de Proust.

Começo a ficar velho, tardiamente, pois muitos já o estão há muito mais tempo e se calaram. mas eu, grande falastrão, me recuso. Me recuso a me calar. Sou cheio de ardiz, isto é, pequenas espertezas eficazes, como o ter feito a minha Alma Welt morrer aos seus 35 anos para que permanecesse eternamente jovem e linda, uma forma de criar uma pequena divindade humana... Deus me perdoe.

Sim, deu certo, e tanto melhor, que ela está dentro de mim e posso evocá-la a qualquer momento, se me sento para escrever, ou mesmo desenhar, como voltei a fazê-lo depois de trinta anos apenas na pintura a óleo e na literatura.

Sim, minha Musa é fiel, e atende ao meu chamado tácito a qualquer momento, e me fornece os enredos e o encanto de sua ardente juventude, de seu amor e de suas intensas paixões, às vezes até mesmo desastradas, continuando a me encantar e até mesmo rejuvenescer o meu espírito, como de seus, agora, inúmeros leitores pelo Mundo afora.

Não. Não preciso caçar assunto: a vida em novas facetas vem até mim através das aventuras da guria do Pampa, encantadora, eternamente sensual e apaixonada por sua cândida Aline e por seu aventureiro irmão Rodo, mestre do carteado de poker, para nos lembrar que a vida pode, sim, ser um jogo saudável se aceitarmos, às vezes, arriscar e dobrar a aposta, e perdendo, nos retiramos com dignidade, provisoriamente, para recuperar o fôlego.

"Bah, Chê!"- Como diria a guria gaúcha (engraçado: ela quase nunca fala assim)- "Senta-te ao teclado e começa a escrever um novo romance que vou te ditar, uma nova aventura minha, que não conheces, e que, prometo vai encantar primeiro a ti, meu velho, e depois aos leitores gringos que me angariaste com tuas artimanhas...

Eu, então, cheio de dores nas costas, que esquecerei, começo, a partir do Nada para um mundo animado pelo eterno encanto do real, pleno do vitalismo incansável da juventude, sim, como quem descobriu a sua Fonte eterna, que muitos julgavam ser apenas um Mito perdido...

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Guilherme de Faria

14/02/2025



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