Saturday, January 4, 2025

MINHA PASSAGEM DE ANO ( crônica de Guilherme de Faria)

 Mais um ano se passou e estamos adentrando ainda com ele (o 2024), uma nova aventura, se não uma "Nova Era", pelo menos para mim, não um egoísta ou egocêntrico, mas um individualista, quem sabe um "individuado" na acepção junguiana dessa palavra. Por quê digo isso? Porque, como melhor exemplo, o século XIX com sua Belle Èpoque" adentrou o século XX até o Naufrágio do Titanic e o eclodir da Primeira Guerra Mundial. Há quem diga que a Festa voltou e teve fim mesmo foi com o "crack" da Bolsa de Nova York de 1929, embrião da Segunda Grande Guerra, que acabou com os "Roarnig Twenties", eco tardio, em Art Déco e melindrosas, da festa renitente do hedonismo social da modernidade.

Bem, é uma teoria... Mas eu a sinto particularmente em mim nesta passagem de ano, para mim cheia de expectativas auspiciosas com o sucesso do livro, em inglês, da minha Alma Welt em nível Mundial, e outras "cositas más" que não posso revelar, por superstição ou prudência.
Sim, estou cheio de planos e expectativas ambiciosas, e minha cabeça, rejuvenecida e "a mil", arrasta estes 82 num corpinho de noventa, todo dolorido e quase emperrado, mas que varia, de um passo lento de velho nas calçadas da minha Oscar Freire, para uma rapidez inusitada naqules dias mais auspiciosos que me despertam a adrenalina...
Sinto, então, que tenho muito a fazer e a realizar como artista plástico e escritor, duas atividades difíceis de conciliar, pois residem em hemisférios distintos do cérebro, e para sintonizar num quase sempre é preciso desligar o outro.
Como os amigos sabem, a minha Literatura, que emana de um heterônimo feminino e um homônimo masculino: a prosadora e poetisa gaúcha Alma Welt e o cordelista sertanejo Guilherme de Faria (que descobri que devia se chamar Adão Ferreira), são uma erupção tardia da minha alma de escritor, de narrador, tão cheio de estórias para contar, além do Guilherme de Faria "ele mesmo", também prolífero mas que pemanece inédito em livros de papel.
Como veem, para mim o Tempo urge, tenho de correr atrás dele para compensar, como dizia o escultor e ourives renascentista Benvenutto Cellini num soneto que abre as suas memórias: "O tempo que perdi em ninharia..."
Que ninguém, pois, me diga: "Sossega, Guilherme, dê tempo ao Tempo"... estou em plena Era do Desassossego, com todos os seus 's". Durmo com minha respiração péssima cheia de apnéias noturnas (sequela de meus anos de fumante) e com medo de não acordar para escrever um novo conto, continuar um romance , terminar um quadro ou fazer um desenho. E o lado penoso, claro, vender alguma obra para pagar as contas...
Mas, reparem: não estou me queixando de nada, "Quem se queixa não merece/ uma bala ou uma prece"... escreveu o cordelista que há em mim, no meu cordel "Romance da Tocaia".
Por falar nisso, só espero que este ano não contenha uma "tocaia" da Sorte , e que se for o caso eu a enfrente como o meu personagem sertanejo: sair gritando e atirando para todo lado... rrrrrrssss
Como diziam os romanos: VALE!

04/01/2025

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